A desflorestação atingiu 8,1 milhões de hectares em todo o mundo em 2024, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira (14), a menos de um mês da Conferência do Clima em Belém, no Brasil.
O documento observa que os líderes mundiais não estão a cumprir as metas de redução da desflorestação, cujo objectivo final é atingir a desflorestação zero e restaurar 350 milhões de hectares de terras degradadas até 2030.
Os dados foram recolhidos pela Forest Declaration Assessment Partners, uma iniciativa independente e colaborativa liderada por uma coligação de organizações da sociedade civil (incluindo a Aliança pela Acção Climática Brasil) e investigadores, que realiza análises anuais desde 2015.
Entre 2018 e 2020, a desflorestação global média anual atingiu os 8,3 milhões de hectares. “Esta é a nossa linha de base”, afirmou Erin Matson, principal autora da Forest 2025 Declaration Assessment, no lançamento do relatório, acrescentando que “para atingir a desflorestação zero até 2030, precisaríamos de reduzir esta prática em 10% a cada ano.”
No entanto, em 2024, foram desflorestados 8,1 milhões de hectares em todo o mundo, um desvio de 63% da meta de desflorestação zero. Isto significa que foram perdidos 3,1 milhões de hectares de floresta a mais do que o esperado.
“Todos os anos, a distância entre os compromissos e a realidade aumenta, com impactos devastadores nas pessoas, no clima e nas nossas economias. As florestas são infra-estruturas essenciais para um planeta habitável. A falha em protegê-las continuamente coloca a nossa prosperidade colectiva em risco”, referiu Matson.
Em 2024, perderam-se aproximadamente 6,73 milhões de hectares de florestas tropicais remotas, principalmente devido aos incêndios devastadores que devastaram a América Latina, a Ásia, a África e a Oceânia. No total, os compromissos globais ficaram 190% aquém das metas para proteger estas florestas ricas em carbono, cuja perda libertou 3,1 mil milhões de toneladas métricas de gases com efeito de estufa para a atmosfera — quase 150% das emissões anuais do sector energético dos Estados Unidos da América (EUA).
A degradação florestal associada aos incêndios foi “particularmente alarmante” nos oito países da região da Amazónia: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
As emissões associadas a estes incêndios atingiram 791 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, sete vezes a média dos dois anos anteriores e mais do que o total de emissões de um país industrializado como a Alemanha.
A extracção de madeira e lenha e a construção de estradas também danificam as florestas, levando a uma deterioração gradual que gera impactos significativos, como as emissões de carbono.
O documento observa ainda que estão em curso iniciativas activas de restauro em pelo menos 10,6 milhões de hectares de terras desmatadas e degradadas, correspondente a 5,4% do total e muito abaixo da meta de 30%.
Fonte: Lusa
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