a d v e r t i s e m e n tAs comunidades da Zâmbia, que foram afectadas por um grande vazamento químico em Fevereiro deste ano, estão a pedir uma indemnização total de 420 milhões de dólares à empresa estatal chinesa responsável pela tragédia.

Duas organizações que representam as vítimas enviaram cartas oficiais de exigência à Sino-Metals Leach Zambia, subsidiária da empresa de mineração China Nonferrous Mining Co. e responsável pelo derramamento tóxico

O primeiro grupo, representado pelo escritório de advogados Malisa & Partners Legal Practitioners, solicitou uma indemnização de até 220 milhões de dólares para permitir a realocação de 47 famílias da comunidade de Kalusale, situada nas proximidades do local do incidente. Segundo um documento divulgado, este grupo alega que o dinheiro será também para exames, testes médicos independentes, tratamento e restauração dos meios de subsistência.

Já o segundo grupo, representado pela Malambo & Co. Advocates, exigiu um pagamento imediato de 200 milhões de dólares para criar um fundo de emergência para os seus clientes, residentes, também, principalmente, na região de Kalusale.

Estas exigências surgem num contexto de crescentes preocupações de que a dimensão da fuga ocorrida tenha sido muito maior do que o inicialmente relatado.

Derramamento tóxico na Zâmbia, um dos piores desastres ambientais do país

O derramamento em questão ocorreu em Fevereiro de 2025, quando uma barragem de resíduos na fábrica de processamento de cobre da Sino-Metals em Chambishi ruiu. O vazamento espalhou cerca de 50 milhões de litros de lama corrosiva e carregada de metais, num afluente do rio Zambeze.

O lodo venenoso dizimou populações de peixes, danificou a agricultura ao longo das margens do rio e envenenou fontes de água cruciais.

Organizações ambientais consideraram o acidente uma das maiores crises ambientais da Zâmbia, com consequências a longo prazo que devem durar décadas.

Após o acidente, os Estados Unidos da América (EUA) emitiram um aviso de saúde, informando que a água, o solo e até mesmo o ar ao redor de Chambishi estavam poluídos com quantidades perigosas de ácido e metais pesados. A embaixada dos EUA restringiu as viagens do seu pessoal à região afectada devido a preocupações de segurança.

A China também divulgou uma declaração reconhecendo a gravidade da situação e defendendo o envolvimento das suas empresas no sector mineiro da Zâmbia.

Governo da Zâmbia minimizou o risco

Cornelius Mweetwa, ministro da Informação e Comunicação Social, informou recentemente que a questão estava “sob controlo” e contestou que o derrame representasse riscos significativos para a saúde, apesar das provas contundentes em contrário. “O perigo imediato para a vida humana, animal e vegetal foi evitado neste momento. Todas as implicações graves para a saúde pública, segurança da água, agricultura e ambiente foram controladas; não há, portanto, motivo para alarme”, afirmou o governante.

A Sino Metals contratou a empresa ambientalista Drizit Environmental (Pty) Ltd. para realizar uma avaliação de impacto ambiental, que estima que até 1,5 milhão de toneladas de resíduos foram descarregadas durante o acidente.

Após a demissão da Drizit por alegadas violações contratuais, a Sino Metals questionou o processo pelo qual o volume do derrame foi determinado. Na última quarta-feira (27), a empresa emitiu uma declaração indicando existirem ainda, aproximadamente, 900 mil metros cúbicos de resíduos nocivos no ambiente.

Fonte: Business Insider Africa

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