Um estudo recente da consultora Deloitte indica que o conluio em esquemas de fraude relacionados com meios de pagamento é actualmente a prática fraudulenta interna mais comum entre as empresas moçambicanas. A conclusão resulta da primeira edição do Fraud Risk Management Survey, que analisa o panorama da fraude, ética e integridade nas organizações sediadas no País, tal como informou a Lusa. Segundo o inquérito, 88% das 43 empresas participantes — na sua maioria grandes empresas, de diversos sectores de actividade — referem ter identificado práticas de conluio interno em fraudes de pagamento. Este fenómeno ocorre num contexto em que mais de dois terços das empresas admitem não recorrer a ferramentas tecnológicas para detectar ou prevenir crimes financeiros. Além do conluio, o estudo destaca ainda o uso indevido de recursos institucionais (44%), o roubo de bens (24%) e a manipulação de registos financeiros (20%) como outras ocorrências frequentes. Entre os factores apontados como facilitadores destas práticas estão a falta de valores éticos (33%), os sistemas de controlo ineficientes (28%) e níveis salariais considerados baixos (23%).advertisement No que respeita à fraude externa, 35% das empresas apontam esquemas conduzidos por clientes ou fornecedores como a principal ameaça. A fraude cibernética e a falsificação de documentos surgem também com um peso de 19% cada, revelando preocupações crescentes no campo digital. 35% das empresas apontam esquemas conduzidos por clientes ou fornecedores como a principal ameaça. Apesar de 70% das organizações afirmarem dispor de canais internos de denúncia anónima, o estudo mostra que o receio de retaliação é o maior obstáculo à sua utilização eficaz. Paralelamente, 60% das empresas inquiridas admitem ter testemunhado ou ter tido conhecimento de fraudes internas ocorridas nos últimos dois anos. As práticas não éticas mais referidas pelas empresas moçambicanas incluem suborno e corrupção (84%), fraudes em processos de aquisição pública e privada (60%), conflitos de interesse (44%) e branqueamento de capitais (37%). Outras situações menos frequentes incluem o desvio de fundos (30%) e a fraude fiscal (14%). Entre os que registaram incidentes de crime financeiro, o impacto mais referido foi o financeiro (87%), seguido do reputacional (33%) e do legal (20%). O relatório aponta também para um futuro de transformação, com 49% das empresas a manifestarem intenção de investir em sistemas de monitorização de transacções em tempo real, 81% a realizar auditorias regulares e 60% a desenvolver programas contínuos de sensibilização dos colaboradores. Em termos de governação, as medidas mais citadas para reforço futuro incluem a formação periódica dos trabalhadores (40%), a criação de um código de ética (30%) e a implementação de estruturas de avaliação de risco em matéria de integridade (21%).advertisement
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