A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) desafiou na quarta-feira, 28 de Agosto, o Governo a adoptar medidas que tornem o ambiente de negócios mais funcional e competitivo, de modo a permitir que as Pequenas e Médias Empresas (PME) possam beneficiar plenamente das oportunidades criadas pela cumulação no âmbito do Acordo de Parceria Económica entre a SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral) e a União Europeia (UE). O apelo foi feito pelo vice-presidente da CTA, Onório Manuel, durante o workshop nacional sobre “Cumulação Promove Comércio”, realizado na FACIM 2025, em Maputo. Segundo o responsável, a cumulação constitui “uma ponte” que permite que produtos nacionais incorporem insumos provenientes da região da África Austral e, ainda assim, mantenham acesso preferencial ao mercado europeu. De acordo com Onório Manuel, esta possibilidade abre espaço para que as PME nacionais se integrem em cadeias de valor regionais e globais, democratizando o acesso à exportação. “Uma PME em Nampula pode comprar embalagens do Zimbabué, transformar o seu produto localmente e vendê-lo na Alemanha com isenção de tarifas. Uma empresa têxtil na Matola pode usar algodão processado no Maláui e conquistar o mercado francês”, exemplificou. Para que essa visão se concretize, a CTA defende medidas como a capacitação empresarial sobre as regras do mecanismo de cumulação, a redução de custos e tempo de exportação através da digitalização, o acesso a financiamento competitivo e a criação de zonas industriais ligadas à logística regional. Apesar do potencial, a CTA alertou que a cumulação “não é uma varinha mágica”. Para que os resultados sejam efectivos, Moçambique precisa de políticas públicas alinhadas, de uma burocracia menos pesada e de um sistema fiscal que estimule o crescimento empresarial. “Chegou o momento de Moçambique deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passar a ser exportador de valor”, afirmou Onório Manuel, acrescentando que a CTA vai continuar a trabalhar lado a lado com a classe empresarial na abertura de mercados, remoção de barreiras e dinamização do comércio nacional.
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