A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) acusou a Mozal de fragilizar a confiança dos investidores e de desestabilizar o tecido empresarial nacional, após o anúncio da possível suspensão das operações da fundição de alumínio a partir de Março de 2026. O alerta foi lançado depois de o presidente executivo da South32, empresa que detém a maioria do capital da Mozal, ter declarado, a 14 de Agosto, que o futuro da fundição depende da obtenção de um novo contrato de fornecimento de energia eléctrica, findo o actual acordo com a sul-africana Eskom. Num comunicado, o presidente da CTA, Álvaro Massingue, considerou inadmissível que uma empresa que beneficiou de condições fiscais, institucionais e económicas favoráveis adopte uma postura que coloca em risco milhares de empregos e compromete a confiança dos investidores. A posição da CTA surge poucos dias depois de o Presidente da República, Daniel Chapo, ter rejeitado as tarifas propostas pela Mozal para o consumo de energia da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Chapo alertou que, se aceites, tais valores poderiam conduzir a HCB a um colapso financeiro, acrescentando que o Governo não está disposto a sacrificar a sustentabilidade da principal produtora de energia do País para satisfazer uma única empresa. Segundo a CTA, a decisão da Mozal de rescindir contratos com cerca de 20 empresas moçambicanas já afectou directamente aproximadamente mil trabalhadores e ameaça a sobrevivência de companhias que mantinham uma relação de décadas com a fundição. A organização empresarial defende que o Governo pode admitir concessões nas tarifas de energia, mas apenas mediante contrapartidas claras. Entre as condições apontadas, a CTA exige que pelo menos 40% da produção da Mozal seja destinada a empresas nacionais, permitindo a transformação local do alumínio em produtos semi-manufacturados e acabados, e que a companhia aumente significativamente o número de fornecedores moçambicanos na sua cadeia de valor. Governo não cede à pressão da Mozal sobre energia Massingue lembrou ainda que, mesmo antes desta crise, havia denúncias de que a Mozal privilegiava empresas estrangeiras, sobretudo sul-africanas, em detrimento das nacionais. Para a CTA, este padrão de comportamento revela “uma preocupante desvalorização do empresariado nacional.” A confederação exige que as negociações em curso sobre o futuro da fundição envolvam todos os accionistas da Mozal — South32, Governo de Moçambique, Industrial Development Corporation (IDC) da África do Sul e Mitsubishi Corporation — com a CTA como parte activa e legítima das discussões. No comunicado, os empresários apelam à South32 para que reveja a sua posição, reintegre as empresas moçambicanas afectadas e retome as operações com responsabilidade social e alinhamento aos objectivos de desenvolvimento do País. Ao Governo, a CTA pede firmeza, mas também abertura ao diálogo, no sentido de proteger os interesses estratégicos nacionais e assegurar que a Mozal mantenha o seu papel como activo económico relevante, mas com maior integração local.advertisement
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