“Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a solução certa. O Telegram defende a liberdade de expressão e a privacidade, independentemente das pressões”, escreveu Durov numa mensagem publicada no Telegram. A reação surge depois da Agência Russa de Supervisão das Telecomunicações, Roskomnadzor, ter anunciado que vai aplicar “restrições progressivas” à plataforma, sob alegações de que não fez esforços suficientes para impedir a sua utilização para “fins terroristas”. “A lei russa continua a não ser aplicada (…), nenhuma medida real é aplicada para combater a fraude e o uso do serviço de mensagens para fins criminosos e terroristas”, afirmou a Roskomnadzor num comunicado, citado pelas agências de notícias russas. O Telegram de Durov, que tem nacionalidade russa e francesa, é uma das aplicações mais populares na Rússia, a par do Whatsapp, a aplicação da empresa Meta, detentora do Facebook e do Instagram. “Por esse motivo (…), a Roskomnadzor continuará a implementar restrições progressivas (ao Telegram) a fim de obter o cumprimento da lei russa e garantir a proteção dos cidadãos”, adiantou o comunicado. Os esquemas fraudulentos por mensagens são muito comuns na Rússia. As autoridades também acusam os serviços de segurança ucranianos de recrutar russos através destas aplicações para cometer atos de sabotagem no país a troca de dinheiro. Nos últimos anos, a Rússia multiplicou as medidas que restringem a liberdade de expressão na Internet, que durante muito tempo foi um dos últimos espaços onde as vozes críticas podiam expressar-se livremente. Em julho do ano passado, o Presidente russo, Vladimir Putin, promulgou uma lei que pune pesquisas na Internet por “conteúdos extremistas” e proíbe a promoção de VPNs, sistemas muito usados ​​na Rússia para contornar a censura. VPN é um serviço que possibilita uma ligação segura e privada entre o dispositivo do utilizador e a Internet, criptografando os seus dados e ocultando o endereço IP (a identificação de um dispositivo em uma rede). Desde 2024, a plataforma de vídeos YouTube só está acessível na Rússia através de uma VPN. Desde 2022, as redes sociais Facebook e Instagram, também pertencentes à Meta, estão bloqueadas. Tanto o Facebook, como o Instagram estão proibidos no país e o Whatsapp tem o funcionamento quase totalmente bloqueado no país desde janeiro. O Governo russo tentou em 2018 banir o Telegram, mas face aos grandes protestos liderados por manifestantes que se reuniram em frente à sede do Serviço Federal de Segurança (FSB, na sigla russa) o executivo decidiu desistir do plano. Durov deixou a Rússia em 2014 por recusar-se a encerrar grupos dos partidos de oposição russos naquela que foi a sua primeira rede social, a VKontakte (VK), há data mais popular que o Facebook na Rússia. Na mesma altura foi-lhe exigido que entregasse os dados pessoais dos utilizadores ao FSB e que eliminasse a conta do falecido líder da oposição russa Alexei Navalny. O Telegram é uma aplicação de mensagens que permite também a partilha de fotos e de vídeos, encriptando os dados dos utilizadores para proteção dos mesmos. Vários governos, incluindo as autoridades ucranianas, utilizam o Telegram para difundirem as suas mensagens oficiais e políticas. O criador do Telegram esteve detido em Paris em 2024 na sequência de uma instigação francesa por alegada cumplicidade da plataforma em atividades criminosas. Em julho do ano passado, as autoridades francesas levantaram as restrições de voo impostas a Durov, embora a investigação continue em curso, segundo o jornal francês Le Monde. Leia Também: Negociador ucraniano discute diálogo com Moscovo com países europeus

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