O País já realizou 135 carregamentos de gás natural para países estrangeiros desde 2022, a partir da região norte, anunciou no sábado, 30 de Agosto, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), citada pela agência Lusa. “Os carregamentos começaram em 2022, portanto, temos 118 carregamentos de LNG (Gás Natural Liquefeito) e 17 de condensados”, revelou Mónica Juvane, directora da ENH, durante um seminário realizado em Maputo. O principal comprador do gás é a petrolífera britânica BP, que assinou em 2016 um acordo de 20 anos com a italiana Eni e com a energética estatal moçambicana para assegurar o fornecimento. “São contratos de longo prazo, adjudicados à BP”, explicou a responsável. Paralelamente às exportações, o Governo pretende massificar a distribuição do gás doméstico até 2028, através da instalação de um sistema de canalização directa às residências, medida enquadrada no processo de transição energética em curso no País. A nível financeiro, a ENH registou em 2024 uma quebra acentuada nos lucros, que caíram para 1,7 mil milhões de meticais (23,4 milhões de dólares), metade dos resultados obtidos em 2023, quando o lucro tinha atingido 3,5 mil milhões de meticais (48,2 milhões de dólares), impulsionado pelo “aumento considerável das receitas de vendas de gás natural”. De acordo com as demonstrações financeiras a 31 de Dezembro de 2024, a ENH encerrou o ano com um activo total de 28,7 mil milhões de meticais (386,9 milhões de dólares) e um passivo de 8,9 mil milhões de meticais (120,2 milhões de dólares). Criada em 1981, a ENH é 100% detida pelo Estado, com capital social de 749 milhões de meticais (10 milhões de dólares), e actua subordinada ao Ministério dos Recursos Naturais e Energia, participando em todas as fases da indústria petrolífera: prospecção, pesquisa, produção, transporte, refinação e comercialização de hidrocarbonetos e seus derivados. Moçambique conta actualmente com três grandes projectos de exploração na Bacia do Rovuma, considerada uma das maiores reservas de gás natural do mundo. Para além do projecto Coral Sul, já em operação e liderado pela Eni, estão aprovados o Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, com capacidade de até 43 milhões de toneladas por ano, e o Rovuma LNG (Área 4), operado pela ExxonMobil, com 18 milhões de toneladas por ano, ainda em fase de desenvolvimento. Em 2024, um estudo da Deloitte estimou que as reservas de gás moçambicanas representam receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares (96,2 biliões de meticais), sublinhando a importância do País no mercado energético global. Só este ano, o País deverá produzir 5,4 mil milhões de metros cúbicos de gás, posicionando-se como o sexto maior produtor de África, mesmo antes da entrada em funcionamento dos restantes megaprojectos.Projecto inovador O Coral Sul FLNG, operado pela italiana Eni, é a primeira instalação mundial de liquefação de gás natural em águas profundas, localizada na Área 4 da Bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado. Em operação desde Novembro de 2022, a plataforma tem capacidade para produzir 3,4 milhões de toneladas de GNL por ano, exportando regularmente para a Ásia. O projecto, avaliado em cerca de 7 mil milhões de dólares, é um marco histórico para Moçambique, não apenas pelo contributo para a transição energética global, mas também pela forte participação moçambicana na cadeia de valor, promovendo emprego, capacitação e conteúdo local. O consórcio Mozambique Rovuma Venture (MRV), responsável pelo Coral Sul, integra a Eni (70%), em parceria com a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC). Os restantes 30% estão igualmente repartidos pela ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos), Galp e Kogas. Até à data, a unidade já ultrapassou os 100 carregamentos de GNL, reforçando o papel de Moçambique como ator relevante no setor energético. Seguindo este sucesso, o Governo de Moçambique aprovou o desenvolvimento do Coral Norte FLNG, uma réplica do modelo Coral Sul. Prevista para arrancar no segundo trimestre de 2028, a nova plataforma terá capacidade para 3,5 milhões de toneladas de GNL por ano e uma vida útil de 30 anos, com um investimento estimado em 7,2 mil milhões de dólares. O projecto será igualmente liderado também pela Eni, em parceria com a ExxonMobil, CNPC, ENH, KOGAS e ADNOC (Abu Dhabi National Oil Company). Além de seis poços de produção, Coral Norte prevê disponibilizar parte do gás para o mercado doméstico, fomentando a industrialização através do uso do condensado produzido. Considerado estratégico, o projecto Coral Norte promete fortalecer a economia moçambicana, gerar receitas adicionais para o Estado e consolidar a capacitação de trabalhadores locais no setor petrolífero.

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