advertisemen tA semana económica ficou marcada por decisões estratégicas e sinais de renovada confiança no sector energético, ao mesmo tempo que o Executivo procura aliviar as restrições cambiais no mercado interno. O destaque vai para a assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Coral Norte, o anúncio de retoma do projecto Mozambique LNG e a medida anunciada para aumentar a fluidez de divisas em 500 milhões de dólares. Em Maputo, o Governo e a petrolífera italiana Eni formalizaram a decisão final de investimento do Coral Norte, projecto localizado na Área 4 da bacia do Rovuma. Avaliado em 7,2 mil milhões de dólares (456 mil milhões de meticais), o empreendimento deverá gerar receitas fiscais e contribuições que ultrapassam 23 mil milhões de dólares (1,4 biliões de meticais) ao longo dos seus 30 anos de vida útil. O Presidente da República, Daniel Chapo, descreveu o momento como “histórico” e realçou que o Coral Norte vai consolidar Moçambique como actor global no sector energético. Produzirá 3,5 milhões de toneladas de GNL anuais e 4300 barris diários de condensado, sendo que 25 % do gás será destinado ao mercado interno e 100 % do condensado gerido pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH). Prevê-se a contratação de 1400 trabalhadores nacionais e contratos de 3 mil milhões de dólares para empresas moçambicanas, bem como formação e sucessão local.advertisement Paralelamente, o director-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, anunciou em Nova Iorque que o projecto Mozambique LNG está pronto para retomar operações nos próximos meses, após mais de quatro anos de paralisação devido a insegurança em Cabo Delgado. A empresa e seus parceiros já iniciaram a remobilização em campo, com previsão de retomar a produção em 2029, mediante actualização do orçamento e plano de desenvolvimento para reflectir os custos acrescidos pelos atrasos. Por seu turno, o Governo aprovou medidas para aumentar a disponibilidade de divisas no mercado. A estratégia contempla a libertação de 500 milhões de dólares adicionais, elevando o limite mínimo de conversão de receitas de exportação de 30 % para 50 %, e estimulando exportadores a repatriar receitas para o mercado moçambicano. O Plano de Recuperação e Crescimento Económico (Prece), aprovado em Conselho de Ministros, também prevê captar 2,7 mil milhões de dólares a médio prazo para mitigar os impactos das mudanças climáticas e dos choques sociopolíticos recentes. No sector financeiro, o Banco de Moçambique voltou a reduzir a taxa de juro de política monetária (MIMO), desta vez em 0,50 pontos percentuais, fixando-a em 9,75%. É o décimo corte consecutivo desde Janeiro de 2024, totalizando uma descida acumulada de 700 pontos-base. O governador Rogério Zandamela afirmou que a decisão reflecte a manutenção das perspectivas de inflação em um dígito no médio prazo e a estabilidade da taxa de câmbio. Sublinhou ainda que o processo de normalização da taxa de juro beneficiou famílias, empresas e o próprio Estado, embora as taxas praticadas pelos bancos comerciais não tenham acompanhado integralmente a descida. Segundo o banco central, a redução da MIMO deverá tornar o crédito mais barato, incentivando o consumo e o investimento empresarial. No entanto, Zandamela alertou que os riscos permanecem elevados, citando o agravamento da situação fiscal, os choques climáticos e a lentidão na reposição da capacidade produtiva como factores que poderão pressionar a inflação nos próximos meses.advertisement

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