A COP30 decorre esta semana, em Belém, num ambiente de urgência que dificilmente poderia ser mais simbólico. Enquanto as delegações de todo o mundo se reúnem na porta de entrada da Amazónia, o planeta assiste, quase em tempo real, ao confronto entre ambição climática, interesses económicos contraditórios e políticas nacionais cada vez mais divergentes. A conferência já não é sobre o futuro, mas sobre um presente que se estreita. A fragmentação global manifesta-se de forma clara. Cada país avança ao seu próprio ritmo, e as diferentes velocidades económicas tornaram-se um dos maiores obstáculos à ação climática coletiva. As economias mais prósperas oscilam entre compromissos ambiciosos e recuos estratégicos ditados por ciclos eleitorais, enquanto as economias emergentes tentam equilibrar desenvolvimento, estabilidade social e sustentabilidade. Os países mais vulneráveis pedem urgência, financiamento e justiça climática, mas continuam a ser os que menos contribuem para o problema e os que mais sofrem as suas consequências. Os Estados Unidos são o caso mais evidente desta incoerência estrutural. Apesar de avanços relevantes em energia limpa, o país continua sem uma estratégia climática estável, duradoura e de compromisso. Cada administração desfaz ou reconstrói o que a anterior produziu, convertendo a maior economia do mundo num parceiro incerto em termos de políticas ambientais. Este padrão, verificado ao longo das últimas décadas, mina a confiança multilateral. Como negociar compromissos resilientes quando um dos pilares estruturantes do atual sistema internacional pode, a cada quatro anos, girar 180 graus?
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