O Governo moçambicano pretende mobilizar 4,5 mil milhões de meticais (70 milhões de dólares) para pôr em funcionamento o sistema nacional de alerta precoce, uma das prioridades que o país levará à 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), a ter lugar de 10 a 21 de Novembro no Brasil.
A informação foi avançada na sexta-feira por Rosália Pedro, técnica da Direcção Nacional de Alterações Climáticas, durante a reunião preparatória nacional para o evento, que pela primeira vez decorrerá num País lusófono, tal como informou o jornal O País
Segundo o documento apresentado pela responsável, Moçambique defende a necessidade de acelerar a operacionalização do Fundo para Perdas e Danos, estimado em 83 mil milhões de meticais (1,3 biliões de dólares) anuais até 2035, com acesso directo para países com altos níveis de vulnerabilidade climática. A proposta moçambicana sublinha também a urgência de simplificar os critérios e requisitos de acesso ao financiamento climático.a d v e r t i s e m e n t
Entre os pontos centrais da sua intervenção na COP30, o país irá igualmente defender o reforço do envolvimento do sector privado em projectos de transição verde, bem como a necessidade de promover a resiliência climática nas comunidades mais expostas a fenómenos extremos.
O documento salienta ainda que o financiamento climático continua a ser um dos maiores desafios, uma vez que os fundos são, na sua maioria, concedidos sob a forma de empréstimos não concessionais.
Moçambique pretende igualmente chamar atenção para a necessidade de transferências tecnológicas, partilha transparente de informação e assistência técnica para a implementação de soluções inovadoras de adaptação e mitigação, com vista a uma transição justa e inclusiva.
A inclusão do género, o envolvimento da juventude e o reforço das capacidades locais, sobretudo através da elaboração de planos comunitários de adaptação, são outras preocupações que o Governo moçambicano levará à cimeira, considerando-os factores essenciais para enfrentar secas, cheias e outros fenómenos climáticos extremos.
Na apresentação da posição nacional, o director nacional do Ambiente e Alterações Climáticas, Francisco Sambo, advertiu que a COP30 “não é um espaço para ir buscar dinheiro, mas sim para mostrar o que já está em curso e identificar oportunidades reais de financiamento”.
O dirigente explicou ainda que, embora sejam feitos anúncios financeiros durante as conferências, “os montantes são, em regra, acordados antes do evento”, servindo a cimeira como “montra para reafirmar compromissos e consolidar parcerias”.
De acordo com o jornal, é expectável que o Presidente da República, Daniel Chapo, lidere a delegação moçambicana ao evento, integrando os ministros do Ambiente, das Finanças e dos Recursos Minerais, bem como representantes de outras entidades públicas e privadas.
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