a d v e r t i s e m e n tA parceria firmada recentemente entre os Governos da Itália e do Essuatíni no domínio do desenvolvimento sustentável está a ganhar novo impulso, com projectos concretos que aliam responsabilidade ambiental e rigor fiscal. O acordo, assinado entre o Ministério do Ambiente e Segurança Energética da Itália e o Ministério do Turismo e Assuntos Ambientais do Essuatíni, estabelece um quadro estruturado para iniciativas conjuntas, com metas mensuráveis, governação transparente e alinhamento com os objectivos climáticos globais.
De acordo com o portal Further Africa, no terreno, os primeiros resultados começam a materializar-se. Um dos projectos mais emblemáticos é a instalação de um sistema fotovoltaico de 1 megawatt no Hospital Raleigh Fitkin Memorial, em Manzini, uma das maiores unidades de saúde pública do país. A par da geração solar, o sistema inclui armazenamento em baterias, reduzindo a dependência do gasóleo, estabilizando o fornecimento de energia e diminuindo os custos operacionais da instituição, que assiste milhares de utentes.
Outra iniciativa relevante está centrada no reforço dos sistemas de alerta precoce e dos serviços climáticos a nível nacional. Financiado pela Itália através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o projecto visa melhorar a capacidade de Essuatíni para monitorizar fenómenos meteorológicos, prever riscos climáticos e responder com maior eficácia a catástrofes naturais. A melhoria dos dados hidrometeorológicos e da preparação para emergências contribui directamente para a estabilidade macroeconómica, mitigando os impactos fiscais resultantes de eventos climáticos extremos.
A estrutura financeira da parceria distingue-se pela sua orientação estratégica. Em vez de depender exclusivamente da ajuda bilateral, o acordo aposta na mobilização de recursos por via de instituições multilaterais, como as Nações Unidas, a União Europeia e entidades financeiras internacionais. Esta abordagem de financiamento misto, que combina donativos, fundos concessionais e capital privado, visa ampliar a escala das infra-estruturas sustentáveis.
“Este modelo de cooperação insere-se na lógica do Piano Mattei, a estratégia do Governo italiano para o continente africano, anunciada em 2024”
Todos os dispêndios previstos estão sujeitos aos mecanismos nacionais de auditoria e cumprem os padrões de gestão das finanças públicas de Essuatíni. Ao reforçar a transparência e a responsabilização, a iniciativa procura consolidar a confiança dos investidores e oferecer um modelo replicável para outras economias africanas de pequena e média dimensão que pretendam aceder a financiamento climático.
Este modelo de cooperação insere-se na lógica do Piano Mattei, a estratégia do Governo italiano para o continente africano, anunciada em 2024. O plano privilegia projectos que combinem impacto social com viabilidade comercial, nos sectores da energia, água e agricultura. No caso do país Essuatíni, os projectos assumem a forma de co-investimentos orientados para a resiliência e produtividade, afastando-se da lógica tradicional da ajuda.
Sob a liderança do embaixador Gabriele Annis, a representação diplomática italiana em Maputo, com jurisdição sobre o Essuatíni, o Botsuana e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), tem desempenhado um papel activo na articulação entre as autoridades nacionais e os parceiros multilaterais. Esta coordenação regional tem assegurado maior coerência e celeridade na execução dos projectos, garantindo uma cooperação eficaz e orientada para resultados.
Mais do que uma acção isolada, esta parceria bilateral oferece um exemplo de como investimentos dirigidos à infra-estrutura pública essencial podem simultaneamente reforçar o espaço fiscal e melhorar a prestação de serviços. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da capacidade de resposta a riscos climáticos contribui para a resiliência financeira do país.
A cooperação entre a Itália e o Essuatíni afirma-se, assim, como um modelo disciplinado de financiamento para o desenvolvimento e para o clima, conjugando a apropriação local com a experiência internacional. Trata-se de uma resposta pragmática e estratégica às exigências da transição energética e da sustentabilidade, num continente onde o equilíbrio entre crescimento económico e responsabilidade ambiental se torna cada vez mais premente.
Painel