
O Digital News Report Portugal 2025 (DNRPT25) aponta “uma tendência preocupante que abrange praticamente todas as marcas de notícias em estudo: a confiança nas marcas está a cair de forma generalizada, com três exceções”, o Correio da Manhã (CM), Observador e Notícias ao Minuto, refere o relatório. Desde 2018, ano em se iniciou a utilização daquele indicador, estas são as únicas marcas de notícias que aumentam e melhoram a sua confiança atribuída pelos portugueses. O relatório “faz uma análise histórica da performance da marca em termos de confiança, desde que inicialmente nós começámos a perguntar às pessoas se confiam na marca”, enquadra o investigador do OberCom e do Iberifier – Observatório Ibérico de Meios Digitais. No caso do Correio da Manhã, a análise é feita desde 2018, no caso do Observador desde 2019, e no Notícias ao Minuto, desde 2020, “só para termos essa noção de que são anos diferentes”, contextualiza o investigador. Estas “são as marcas que mais aumentaram em termos de confiança conferida pelos portugueses”, salienta Miguel Paisana, apontando que a evolução do Notícias ao Minuto está dentro da margem de erro, de “apenas um ponto percentual”. A confiança atribuída pelos portugueses no caso do Observador regista uma evolução de “9,1 pontos percentuais e o Correio da Manhã 10,1 pontos percentuais”. Isto “contrasta fortemente com a progressão das outras marcas, que é negativa”, sublinha o investigador, que ressalva que na análise histórica 2018-2025 há uma “quantidade de coisas que aconteceram” em termos relevantes para a vidas das pessoas, nomeadamente a pandemia. Perante estes dados, os investigadores foram tentar perceber quem são as pessoas que estão a consumir estas marcas, se existe algum tipo de demografia que está a mobilizar mais em termos de confiança para as marcas Correio da Manhã e Observador ou se há alguma tendência digna de nota. “E não encontramos nenhuma. Ou seja, o que quer dizer é que este ganho de confiança parece ser transversal a toda a esfera de consumidores destas marcas”, afirma. Nesta análise também foi observada a orientação política, se havia pessoas com um determinado perfil ideológico que estava em maior proporção a afirmar que confiava nestas marcas, mas “isso não se verifica”, diz. Portanto, “a conclusão que nós tiramos desta evolução ao longo destes anos é que, objetivamente, os ganhos de confiança destas duas marcas (…) estarão diretamente relacionados com o tipo de jornalismo que oferecem, com o tipo de abordagem que oferecem e com o facto de essa abordagem ser vista de forma positiva e com muita confiança, pelas audiências”, aponta o investigador. “Independentemente de qual seja a sua tipologia, normalmente (as duas marcas) são duas abordagens muito diferentes, mas terá porventura a ver com isso”, considera Miguel Paisana. Em suma, “são duas marcas que conseguem tornar mais apetecível a sua própria abordagem, aquilo que é a forma de contar histórias, de narrar notícias e, portanto, de se relacionar com as audiências”, o que “acaba por ser interessante”, conclui. No ‘ranking’ de confiança para este ano, o Correio da Manhã, Observador e Notícias ao Minuto são “as marcas pior posicionadas, mas não obstante esse posicionamento, são manifestamente as únicas que têm melhorado a sua perceção pública em termos de confiança, e nos casos do Correio da Manhã e do Observador, de forma bastante expressiva”, lê-se no DNRPT25. Inversamente, marcas com bom desempenho em 2025, como a RTP e Público, apresentam evoluções históricas de confiança negativas, liderando um cenário “evolutivo na generalidade negativo”, segundo o documento. Leia Também: Marcas “de imprensa” são as mais eficazes a atrair utilizadores digitais
Painel