O terceiro dia da 1.ª Conferência Internacional sobre Inteligência Artificial e Transformações Universitárias, organizado pela Universidade Pedagógica de Maputo, em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), foi marcado pela apresentação de propostas de modelos de IA que facilitem a formação dos estudantes assim como o trabalho dos professores. Imídio Nhamirre, estudante de doutoramento em tecnologias e sistemas de informação na Universidade Pedagógica de Maputo, apresentou o ITeste, um projecto de correcção automatizada de testes com recurso a IA, que poderá funcionar sem acesso a Internet, por forma a incluir as instituições de ensino que se encontram em zonas recônditas. “Muitas escolas moçambicanas encontram-se em zonas com problemas de acesso a Internet, o que dificulta a implementação de tecnologias. No entanto, é importante que haja uma inclusão nessas zonas, no que respeita ao uso da IA, foi o que me levou a criar este projecto”, explicou durante a sua apresentação. O sistema, segundo o autor, poderá usar o modelo de linguagem PHP (uma linguagem de script do lado do servidor de código aberto, usada principalmente para criar sites e aplicações web dinâmicas), por ser de fácil utilização. Já Armindo Mualele, também estudante de doutoramento em tecnologias e sistemas de informação, sugere a implementação da IA ​​nos Institutos de formação de professores. “A Inteligência Artificial já está a ser utilizada pelos alunos e é necessário que seja implementada a partir da base, para que os seus formadores também possam ter domínio destas ferramentas.” Mualele afirma que o uso da IA ​​na formação dos professores poderá garantir a personalização, diferenciação da aprendizagem, fornecer também um feedback imediato e melhoria contínua. Além disso, irá permitir dar um estímulo à autonomia e motivação dos formadores, assim como o desenvolvimento de competências digitais e analíticas e criação de ambientes de ciências. Para tal, Armindo Mualele propõe o uso de ferramentas de plataformas adaptativas, que permitem a personalização de aprendizagem e ajustam aquilo que é o conteúdo ao ritmo e perfil do estudante: Sistemas tutoriais inteligentes que simulam tutores humanos: neste caso, a Inteligência Artificial vai orientar ao aluno com base no seu desempenho; Chatbots educativos: que apoiam, automatizam e criam uma interação. Neste caso, respondem as dúvidas por uma linguagem natural; Simuladores pedagógicos com a Inteligência Artificial: que vão criar a prática de situações de ensino, numa situação de ambientes virtuais, como cenários educativos; Análise predictiva de dados para algoritmos que identificam padrões de aprendizagem. Por sua vez, Narciso Mula, outro estudante da mesma área, apresentou um projecto que propõe o uso da IA ​​e machine learning para realizar testes de segurança em aplicações web. O trabalho surge da necessidade de garantir maior protecção nos sistemas digitais usados ​​diariamente. “Cada vez mais utilizamos aplicações web para resolver os nossos problemas, mas muitas vezes preocupamo-nos apenas com a funcionalidade e esquecemos a segurança”, afirmou. O projecto consiste na criação de um agente inteligente capaz de identificar vulnerabilidades de forma automatizada e adaptativa, superando as limitações de ferramentas tradicionais como o OWASP ZAP, que utilizam sempre os mesmos parâmetros de teste. Desenvolvido em Python com o apoio de modelos como o Random Forest e bibliotecas TensorFlow e Scikit-learn, o sistema foi testado em ambientes simulados (como o DVWA) e obteve 98% de precisão na detecção de falhas como Cross-Site Scripting (XSS) e SQL Injection. Mula destacou que o projecto representa um contributo importante para a segurança cibernética, observando que “se os hackers usam Inteligência Artificial para atacar, os investigadores devem usá-la para defender.” Texto: Ana Mangana

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