“O equilíbrio entre o desenvolvimento económico e a conservação ambiental deve estar no centro das políticas de turismo de Moçambique”, defendeu o director executivo da Karingani Game Reserve, Paul Milton, na Conferência Internacional do Turismo, que decorreu este mês, em Vilankulo, na província de Inhambane. A operar no País há mais de uma década, a Karingani apresentou a sua visão de turismo sustentável como a via estratégica para gerar valor económico a longo prazo sem comprometer os recursos naturais que sustentam o sector. Com mais de 40 anos de experiência em projectos turísticos em vários continentes, Paul Milton afirmou que Moçambique tem agora uma oportunidade única de se posicionar como uma referência mundial em turismo de baixo impacto, conservação da biodiversidade e experiências de viagem exclusivas. Sublinhou que os recursos naturais estão a desaparecer a um ritmo acelerado, mas que, quando protegidos e geridos de forma responsável, se tornam na base de um turismo de alto valor, capaz de gerar benefícios económicos e sociais para as gerações futuras. Reforçou ainda que o princípio central do turismo sustentável é maximizar os retornos preservando o próprio recurso. A Karingani alertou para os riscos associados ao turismo de massas, que pode levar à degradação ambiental e à perda de identidade cultural, exigindo, não raro, grandes esforços, prolongados e dispendiosos, de recuperação. Como alternativa, a reserva reiterou a importância de parcerias público–privadas consistentes, de infra-estruturas de acesso estrategicamente planeadas, de quadros regulatórios que reforcem a confiança dos investidores e, ainda, de modelos de desenvolvimento que fortaleçam a educação, a formação e a inclusão das comunidades locais, garantindo que o turismo gera benefícios partilhados. Durante a conferência, foram apresentados exemplos internacionais que demonstram o êxito de estratégias de turismo sustentável, incluindo o Ruanda, o Botsuana e a Nova Zelândia, onde o turismo se tornou um verdadeiro pilar do desenvolvimento nacional. A Conferência Internacional do Turismo contou ainda com Garry Harwood, fundador e director da HKLM, o qual reforçou a importância de desenvolver uma marca nacional forte e coerente, capaz de reflectir a identidade e o potencial de Moçambique, tanto a nível interno como internacional. Sublinhou que, se Moçambique não contar a sua própria história, outros o farão, e que uma marca nacional sólida promove o orgulho interno, atrai investimento, impulsiona o turismo e fortalece a reputação internacional do País. Em paralelo à Feira Internacional de Turismo FIKANI 2025, a Karingani apresentou publicamente o modelo do primeiro hotel do grupo Aman na África Subsaariana, a ser construído dentro da reserva, um marco significativo que reforça a entrada de Moçambique no circuito internacional do turismo de alto valor.
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