Um concurso público avaliado em 130 milhões de meticais (2 milhões de dólares), lançado pelo Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM), foi temporariamente suspenso devido a alegadas ligações entre a empresa vencedora e o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino.

Segundo a Agência de Informação de Moçambique, a empresa em causa, Future Technologies of Mozambique, foi seleccionada para desenvolver e operar uma plataforma de digitalização das cadeias de valor do algodão e das oleaginosas. Contudo, duas organizações da sociedade civil, o Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) e o Centro de Integridade Pública (CIP), denunciaram a criação da empresa apenas em Abril deste ano, não possuindo experiência nem capacidade técnica comprovadas, sendo que apresentou uma proposta mais dispendiosa do que outras concorrentes.

As duas organizações acrescentam que a Future Technologies está relacionada com o governante moçambicano, através da empresa DonaWafica, da qual Roberto Albino é sócio, detendo 2% da sociedade. Outra empresa, a Flamingo, detém 24% das acções.

Perante as denúncias, o Ministério da Agricultura anunciou a suspensão do concurso, declarando: “Logo que tenhamos novos desenvolvimentos sobre a matéria, forneceremos a informação apropriada ao público em geral.”

Numa nota de esclarecimento, o Ministério reconhece que o ministro é sócio da DonaWafica, mas sublinha que a mesma “nunca operou” desde a sua criação, em 2015, classificando as notícias veiculadas como “uma tentativa deliberada de confundir a opinião pública.”

O documento sustenta ainda que o concurso foi lançado e conduzido pelo IAOM (Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique), uma instituição “com autonomia administrativa, financeira e patrimonial”, pelo que os seus processos “não estão sujeitos a qualquer intervenção administrativa do ministro ou dos secretários de Estado.”a d v e r t i s e m e n t

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