Os trabalhadores das empresas públicas de comunicação social ou sob tutela do Estado em Angola decidiram, nesta segunda-feira (2), avançar para uma greve geral interpolada, com a primeira fase já na próxima semana, exigindo um aumento salarial de 58%, informou a Lusa. A deliberação da greve geral foi aprovada por unanimidade em assembleia geral orientada pelo Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), tendo os trabalhadores aplaudido em uníssono a paralisação faseada até Dezembro próximo. Segundo o comunicado divulgado no final do encontro, a greve vai decorrer em quatro fases: a primeira entre 8 e 12 de Setembro, a seguinte de 9 a 19 de Outubro, a terceira de 10 a 24 de Novembro e a última entre 10 e 24 de Dezembro. A paralisação foi aprovada pelos trabalhadores da Rádio Nacional de Angola (RNA), Televisão Pública de Angola (TPA), Edições Novembro (detentora do Jornal de Angola, Jornal dos Desportos, Jornal Cultura e Jornal Economia e Finanças), Agência Angola Press e Media Nova (detentora do Jornal O País, Rádio Mais e da Gráfica Dammer) e TV Zimbo, as duas últimas detidas pelo Estado no âmbito da recuperação de activos. Nesta assembleia, os funcionários expressaram “profunda insatisfação e indignação” com o “incumprimento” do acordo assinado em Abril último, por parte da entidade empregadora, recordando que este previa um aumento salarial de 58% para vigorar em Agosto de 2025. O acordo estabelecia igualmente retroactivos dos meses de Junho e Julho, “o que, até a presente data, não foi implementado e não teve justificativa formal por parte das entidades empregadoras”, lê-se no comunicado. A assembleia deliberou ainda a exclusão de prestação de serviços mínimos enquanto durar a greve, também extensível aos secretariados provinciais do SJA a nível nacional. O Governo angolano aprovou, em finais de Agosto passado, um aumento salarial de 27% para os trabalhadores das empresas públicas de comunicação, com implementação prevista para Outubro próximo, após uma reunião com os presidentes dos conselhos de administração e o SJA. À imprensa, na ocasião, o secretário de Estado da Comunicação Social, Nuno Caldas, assegurou que os salários dos funcionários do sector teriam um aumento gradual a partir de Janeiro de 2026, com acréscimo de mais 31%, para alcançar os 58%, propostas recusadas pelos trabalhadores que deliberaram pela greve geral.
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