A verificação de referências é muitas vezes tratada como uma etapa administrativa, mas pode ser uma ferramenta estratégica para conhecer verdadeiramente um candidato antes da contratação.
Quando bem feita, permite identificar pontos fortes, fragilidades e o grau de compatibilidade cultural com a organização — factores decisivos para evitar más contratações, que são dispendiosas e prejudicam a produtividade.
O primeiro passo é confirmar as informações básicas do candidato: datas de emprego, funções, responsabilidades, competências e formação. Embora não revelem o seu comportamento como colega, estes dados ajudam a verificar a honestidade do currículo. Estudos recentes mostram que uma grande percentagem de profissionais já exagerou ou mentiu em candidaturas, o que torna esta validação essencial.
Em seguida, é importante fazer perguntas específicas, mas abertas. Questões vagas como “Como foi trabalhar com ele?” tendem a gerar respostas genéricas. Em vez disso, perguntas como “Cumpria prazos?”, “Como lidava com pressão?” ou “Voltaria a contratá-lo?” permitem obter exemplos concretos e aprofundar aspectos relevantes do desempenho.
Outro ponto central é avaliar a compatibilidade cultural. O currículo e a entrevista nem sempre revelam se o candidato se integrará bem na equipa. A referência pode ajudar a perceber como ele se relacionava, que tipo de ambiente valorizava e como reagia à cultura da empresa anterior. Garantir esse alinhamento reduz o risco de rotatividade e de conflitos internos.
Também é essencial saber o que não perguntar. As informações recolhidas estão sujeitas a regulamentos de privacidade, como o RGPD. Devem ser evitadas perguntas que possam revelar dados sensíveis, como saúde, vida pessoal, crenças religiosas ou orientação sexual. Caso surjam acidentalmente, essas informações não devem ser registadas nem utilizadas.
Por fim, é preciso estar preparado para situações em que antigos empregadores se recusam a fornecer referências ou apenas confirmam dados básicos. Isso não deve ser interpretado automaticamente como sinal negativo sobre o candidato. Nesses casos, o mais adequado é conversar com o mesmo e pedir uma referência alternativa.
Em síntese, uma verificação de referências eficaz exige preparação, perguntas bem formuladas, respeito pela privacidade e uma leitura contextual das respostas. Quando bem conduzida, transforma-se numa aliada poderosa para decisões de contratação mais seguras e estratégicas.
Fonte: Randstad Portugal
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