A Inteligência Artificial (IA) está a revolucionar os cuidados de saúde, oferecendo novas oportunidades para a detecção precoce de doenças, tratamentos personalizados e monitorização contínua das pacientes. Na saúde da mulher, as tecnologias baseadas em IA estão a mostrar grandes mudanças em áreas como o rastreio do cancro da mama, acompanhamento da fertilidade e gestão hormonal, ajudando a reduzir atrasos nos diagnósticos e a melhorar os resultados. Os profissionais de saúde usam a IA para analisar grandes volumes de dados clínicos, desde mamografias até sensores vestíveis que medem hormonas, auxiliando na identificação de sinais subtis que podem escapar ao olho humano. Estas ferramentas não substituem os médicos, mas aumentam a precisão e reduzem erros. Monitorização de medicamentos e segurança A IA pode também ser crucial na monitorização de efeitos secundários de medicamentos, como contraceptivos injectáveis (Depo-Provera), que têm levantado preocupações sobre efeitos a longo prazo. Casos judiciais actuais destacam a importância da educação do paciente, comunicação transparente dos riscos e monitorização pós-comercialização. Com a IA, efeitos adversos podem ser identificados precocemente, permitindo ajustes nos tratamentos antes que causem danos graves. Avanços na imagiologia diagnóstica O cancro da mama continua a ser um dos mais comuns entre as mulheres. Em Moçambique, é o segundo mais frequente, sendo letal para metade das mulheres diagnosticadas. Métodos tradicionais como a mamografia têm limitações, especialmente em tecido mamário denso. As ferramentas de IA analisam grandes bases de dados de imagens, identificando padrões e alterações subtis, comparando exames actuais com anteriores. Os ensaios clínicos mostram que estes sistemas podem igualar radiologistas experientes e reduzir taxas de “recall”, acelerando a detecção precoce. Fertilidade e saúde reprodutiva As aplicações de IA permitem prever ovulação e períodos férteis com precisão, ajudando quem tem ciclos irregulares ou condições como SOP (Síndrome do Ovário Policístico). Sensores vestíveis, que monitorizam temperatura, frequência cardíaca e respiratória, alimentam modelos de IA, criando análises detalhadas que permitem às mulheres compreender e gerir melhor a sua saúde reprodutiva. Tratamento personalizado de condições crónicas Doenças como SOP, endometriose e menopausa beneficiam de cuidados mais individualizados graças à IA, que processa grandes volumes de dados para identificar tendências e respostas a tratamentos. Para endometriose, a IA acelera o diagnóstico analisando históricos médicos e padrões de sintomas. Na menopausa, ajuda a monitorizar sintomas e ajustar tratamentos hormonais, nutricionais ou comportamentais às necessidades de cada mulher. Desafios e perspectivas Apesar dos avanços, a IA enfrenta desafios como a privacidade de dados, enviesamento nos algoritmos e integração nos cuidados de saúde. Ferramentas devem apoiar, e não substituir, a perícia médica. Além disso, startups estão a criar aplicações para populações com acesso limitado, ligando pacientes a serviços de telemedicina e auto-avaliações. A IA promete intervenções mais precoces, terapias personalizadas e uma melhoria significativa na saúde da mulher, especialmente quando combinada com inovação tecnológica, responsabilidade legal e defesa do paciente. Fonte: 360º Mozambique
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