advertisemen tNo coração das regiões mais carenciadas de África, está em curso uma revolução silenciosa, alimentada não por combustíveis fósseis ou ajuda externa, mas pelo sol, pelo vento e pela criatividade. A energia renovável já não é apenas uma ferramenta para a descarbonização; emergiu como um dos mais poderosos facilitadores de dignidade, resiliência e oportunidade para as comunidades mais vulneráveis do continente. Da escuridão para a luz: um renascimento solar Em Goma, uma região afectada por conflitos na República Democrática do Congo, a energia solar está a desafiar a escuridão da guerra. Uma mini-rede solar de 1,3 megawatts operada pela Nuru não está apenas a iluminar casas; está a iluminar a esperança. Mesmo tendo em conta a actividade rebelde e a instabilidade política, este sistema continuou a alimentar bombas de água, clínicas de saúde e microempresas, tornando-se uma rara constante numa região marcada pela perturbação. Este não é um exemplo isolado. Em todo o Mali, centrais solares como as instaladas pela empresa de soluções integradas em iluminação WeLight estão a fornecer energia a aldeias inteiras. Na cidade de Karan, que antes dependia de diesel e velas, as empresas locais prosperam agora com electricidade — padarias, quiosques de carregamento de telemóveis e até salas de jogos —, transformando a economia rural de maneiras nunca imaginadas há uma década. As mulheres e a mudança de poder Para muitas mulheres em comunidades sem acesso à rede eléctrica, a chegada da energia solar é um acontecimento que altera a vida. Ela substitui as perigosas lâmpadas a querosene (petróleo de iluminação) que causavam doenças respiratórias. Liberta o tempo que antes era gasto na recolha de lenha. Mais importante ainda, abre novas fontes de rendimento, desde a operação de unidades de armazenamento refrigerado até à gestão de negócios domésticos. No Quénia, Nigéria e Gana, empresas de financiamento e implantação de energia solar como a PEG Africa e a D.Light foram pioneiras em modelos solares pré-pagos que levam energia limpa às casas por um custo tão baixo quanto o de uma recarga de telemóvel. Esses modelos são feitos sob medida para populações financeiramente excluídas, especialmente famílias lideradas por mulheres, dando-lhes controlo sobre o uso de energia e sobre as finanças. Além da electricidade: um plano para o desenvolvimento As implicações são de longo alcance. Onde há energia, há aprendizagem — as escolas prolongam o horário e as ferramentas digitais tornam-se acessíveis. Onde as clínicas têm electricidade, as vacinas permanecem viáveis e as mães dão à luz sob iluminação adequada. E onde as comunidades geram a sua própria energia, surge uma sensação de autonomia e resiliência. Estas histórias desafiam a noção ultrapassada de que as infra-estruturas devem preceder o desenvolvimento. Em África, a energia não está a seguir as estradas e as cidades — está a ultrapassá-las. E os resultados estão a ser medidos não só em quilowatts-hora, mas também em futuros mais brilhantes. Fonte: Further Africa
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