A Comissão Europeia insistiu esta terça-feira no “não para sempre” ao gás russo liquefeito e advertiu para os perigos que podem advir se a União Europeia (UE) se der “ao luxo de repetir erros do passado”. “Todos vão perceber, de Moscovo a Washington, o que estamos a fazer (…). É uma decisão histórica”, disse o comissário para a Energia, Dan Jørgensen, durante um debate no Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, em França. O comissário europeu acrescentou que é uma decisão sem volta atrás: “Não é temporária ou limitada no tempo.” Pedindo ao PE que respalde esta decisão do executivo comunitário europeu, Dan Jørgensen acrescentou que acabar com a importação de gás russo liquefeito por parte dos países da UE não é uma decisão que possa ser revista “daqui a seis meses ou ao sabor das circunstâncias nacionais de um determinado Estado-membro. “Mesmo que haja paz (na Ucrânia), é um não para sempre, não vamos importar uma só molécula de gás, não nos podemos dar ao luxo de repetir os erros do passado”, comentou. Já o eurodeputado Ville Matti Niinistö (Finlândia, do grupo dos Verdes), correlator do relatório que dá luz verde ao fim da importação de gás russo liquefeito, pediu aos restantes eurodeputados para pensarem a “longo prazo” e na oportunidade que a UE tem de “acabar com a dependência (energética) de países terceiros”. Em consonância, Inese Vaidere (Letónia, Partido Popular Europeu), a outra correlatora do PE, sustentou que, “pela primeira vez, a União Europeia vai pôr cobro” e demonstrar que a Rússia “nunca foi um parceiro viável, que manipulou sempre o fluxo de gás para destabilizar governos”. “Isto ficou claro com a Ucrânia (…), estava a utilizá-la como arma de arremesso e a União Europeia precisa de alternativas”, comentou. Em 3 de dezembro, a União Europeia chegou a acordo para proibir todas as importações de gás russo para a União Europeia no outono de 2027. Os eurodeputados das comissões da Indústria, Investigação e Energia e do Comércio Internacional do Parlamento Europeu, bem como a presidência dinamarquesa do Conselho da UE, concordaram em proibir as importações de gás natural russo a partir da entrada em vigor do regulamento, no início de 2026, para o gás natural liquefeito (GNL) no mercado spot, e a partir de 30 de setembro de 2027 para o gás transportado por gasoduto. A proibição dos contratos de longo prazo entrará em vigor, o mais tardar, em 1 de novembro de 2027.

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts