advertisemen tA directora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, revelou que negócios intra-africanos custam 20% mais do que com outros continentes. Um desequilíbrio estrutural que descreveu como algo de errado” nos sistemas comerciais do continente. Em entrevista à CNN citada pelo Business Insider Africa, Okonjo-Iweala destacou que o comércio entre países africanos continua severamente limitado, apesar da riqueza em recursos. “Custa-nos 20% mais negociar entre países africanos do que com o resto do mundo. Há algo de errado nisso”, lamentou, acrescentando que “apenas cerca de 15 a 20% do nosso comércio ocorre entre nós, comparado com mais de 60% na União Europeia. Ainda temos um longo caminho a percorrer.” A chefe da OMC sublinhou o potencial da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) para mudar este cenário, chamando-lhe “uma das melhores iniciativas que temos em matéria de comércio”, mas frisou a necessidade urgente de acelerar a sua implementação. “Por que não compramos esses 200 milhões de dólares em têxteis dentro do continente? Se estamos a gastar 7 mil milhões de dólares para importar os mesmos têxteis, por que motivo o Lesoto deve ter dificuldades?”, questionou, chamando a atenção para a dependência africana de mercados externos para bens que poderiam ser facilmente produzidos localmente. Okonjo-Iweala também citou projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) que indicam que a economia africana deverá crescer cerca de 4% este ano e no próximo, mas advertiu que tal é insuficiente face ao aumento demográfico do continente. “Até 2050, haverá 2,5 mil milhões de pessoas no continente, cerca de 22% da população mundial em idade activa. Se esta população for qualificada, poderá ser um recurso para África e para o mundo inteiro”, considerou. A dirigente da OMC enfatizou que o investimento na educação, tecnologia e infra-estruturas é essencial para transformar o crescimento demográfico em poder económico. “Não basta dizer que temos pessoas, logo somos ricos. Elas têm de ser qualificadas. Temos de acompanhar a tecnologia e a Inteligência Artificial”, acrescentou. “Custa-nos 20% mais negociar entre países africanos do que com o resto do mundo. Há algo de errado nisso.”Ngozi Okonjo-Iweala – directora-geral OMC Apesar dos desafios persistentes, como infra-estruturas deficientes, fornecimento de energia pouco fiável e fraca conectividade, Okonjo-Iweala manifestou optimismo quanto ao futuro de África, salientando que jovens inovadores nas áreas da tecnologia financeira, agro-tecnologia, tecnologia da saúde e indústrias criativas já estão a transformar a história económica do continente. A sua mensagem aos líderes africanos foi clara: reduzam os custos comerciais, invistam nas pessoas e construam sistemas que permitam a África comercializar de forma mais eficaz consigo própria, ou arrisquem perder a oportunidade de aproveitar o potencial do mercado mais dinâmico do mundo.

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