a d v e r t i s e m e n tA balança comercial entre a União Europeia (UE) e os países africanos registou uma melhoria de 8% em 2024, porém manteve‑se negativa para os europeus, com um défice estimado em cerca de 25,4  mil milhões de dólares, tal como informou a Lusa.

Segundo os dados do organismo de estatísticas europeu, os 27 Estados‑membros da UE exportaram bens no valor de aproximadamente 179 mil milhões de dólares para África, uma ligeira queda face aos 183,4 mil milhões registados no ano anterior. Por outro lado, as importações africanas para a Europa situaram‑se em cerca de 204,4 mil milhões de dólares, diminuindo após os 211,6 mil milhões verificados em 2023.

Apesar desta redução das importações, o saldo manteve‑se negativo para a UE, em parte porque as exportações europeias continuam abaixo do pico de mais de 194,2 mil milhões de dólares atingido em 2022. Naquele ano, os países africanos exportaram para a Europa bens avaliados em mais de 246 mil milhões de dólares, gerando um défice europeu superior a 51,8 mil milhões de dólares.

Desde 2020, observa‑se uma oscilação, com as exportações europeias variando entre 135,1 mil milhões e 179,2 mil milhões de dólares, enquanto as importações subiram de 108,5 mil milhões para os já referidos 246 mil milhões de dólares em 2022, antes de recuar nos dois anos seguintes.

No plano estratégico, a UE lançou o programa Global Gateway África‑Europa, que prevê investimentos mínimos na ordem de 162 mil milhões de dólares, dos quais 2,1 mil milhões foram já canalizados para os três países do Corredor do Lobito (Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo). Mais de metade dos 264 projectos emblemáticos da iniciativa concentram‑se em África, abrangendo áreas como energia renovável, produção de vacinas, cadeias de valor agrícolas e desenvolvimento de corredores de transporte.

Além disso, a UE apoia a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) através de uma iniciativa no valor de 1,3 mil milhões de dólares, e tem‑se posicionado como parceiro de paz no continente, tendo fornecido equipamento militar e outros meios no valor superior a 1,1 mil milhões de dólares a parceiros africanos, no quadro do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz.

Paralelamente, prepara‑se a cimeira UE‑África que contará com a participação de pelo menos 18 chefes de Estado e de Governo europeus, co‑presidida por António Costa, presidente do Conselho Europeu, e por João Lourenço, Presidente da República de Angola, na actual presidência da União Africana (UA). Do espaço lusófono confirmaram presença o primeiro‑ministro de Portugal, Luís Montenegro, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, e o primeiro‑ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva.

A balança comercial, portanto, evidencia que, apesar de um crescimento no volume de trocas, o desequilíbrio estrutural entre a Europa e o continente africano persiste. Para os analistas, tal cenário reforça tanto a importância estratégica de investimentos de longo prazo em África como a necessidade de ajustes nas cadeias de valor europeias que operam no continente.

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts