O comércio bilateral entre Moçambique e Índia ultrapassou, em 2024, os 800 milhões de dólares (50,6 mil milhões de meticais), segundo dados revelados esta terça-feira (25), durante o Fórum Empresarial Moçambique-Índia. O montante foi impulsionado pela exportação de gás natural, carvão, algodão, castanha de caju e outros produtos agrícolas, bem como pela importação de bens de capital, viaturas, maquinarias, produtos farmacêuticos, testes e equipamentos electrónicos. O fórum juntou empresários moçambicanos e indianos para identificar oportunidades de negócios e estabelecer parcerias estratégicas. A extracção e o processamento de recursos naturais dominaram as discussões, por serem considerados sectores essenciais para o desenvolvimento económico do País. Na abertura do evento, o secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, incentivou as empresas indianas a investirem de forma mais abrangente nas riquezas minerais moçambicanas, sublinhando que Moçambique possui um vasto potencial e necessita de investimentos que criem empregos e acrescentem valor à produção nacional. “Temos pedras preciosas, temos rubis, temos um vasto leque de minerais e queremos ver duas coisas: investimentos fortes nisso, mas também investimentos não só na extracção, como também no processamento, para que possamos criar empregos para a nossa população”, afirmou António do Rosário Grispos. O governante acrescentou que Moçambique pretende reforçar a cooperação com a Índia nos domínios da digitalização, tecnologia e transformação de recursos naturais. Segundo explicou, estes investimentos são essenciais para garantir um desenvolvimento sustentável e orientado para a criação de valor agregado. “Não queremos apenas que fiquem aqui buracos depois da exploração. Queremos que tragam a vossa experiência, os vossos conhecimentos na transformação destes minerais, destes recursos (…). Queremos também a experiência da Índia na digitalização”, referiu Grispos. Para o secretário de Estado, o avanço tecnológico indiano pode assumir um papel determinante na relação bilateral. “A Índia é uma grande potência mundial no que toca às tecnologias, no que toca à investigação tecnológica, e nós gostaríamos que isto também fosse um dos meios de ligação entre os nossos dois povos”, acrescentou o responsável. Fórum Empresarial Moçambique-Índia Já o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, reafirmou o compromisso do sector privado em apoiar este processo de aproximação, garantindo facilitar missões empresariais, agendas de negócio e identificação de projectos viáveis, bem como promover parcerias industriais e tecnológicas em todas as províncias. Por sua vez, o alto-comissário da Índia, Robert Shetkintong, mostrou-se satisfeito com o desempenho da balança comercial moçambicana e reiterou a intenção de ampliar as trocas comerciais, defendendo que ambos os países devem continuar a fortalecer a cooperação económica para garantir benefícios mútuos. O encontro permitiu ainda identificar oportunidades nos sectores do agro-negócio, turismo, energia, indústria e infra-estruturas, apontados como estratégicos para atrair investimentos e desenvolver projectos conjuntos. Estas áreas reforçam o potencial económico da cooperação entre Moçambique e Índia. Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)
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