A TotalEnergies encontra-se na fase final dos preparativos para o levantamento da cláusula de “força maior” aplicada ao projecto Mozambique LNG, suspenso desde Março de 2021 devido à deterioração das condições de segurança no distrito de Palma, província de Cabo Delgado. Durante uma deslocação oficial à vila de Palma, o director-geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, anunciou que a empresa “está a ultimar os detalhes operacionais com vista ao reinício formal das actividades na península de Afungi.” A declaração foi feita à margem da cerimónia de entrega da estrada Quitunda-Senga, uma infra-estrutura social com 1,7 quilómetro, construída com um investimento de aproximadamente 169 milhões de meticais (2,6 milhões de dólares), destinada a beneficiar directamente as comunidades reassentadas. “Estamos a preparar-nos para levantar a ‘força maior’, e é nesse sentido que estamos a trabalhar para reiniciarmos o projecto”, afirmou Rabilloud, dirigindo-se à população local durante o acto público. No mesmo dia, o gestor teve um encontro reservado com empresários de Palma, com o objectivo de discutir a participação do sector privado local no ciclo económico do projecto. Na ocasião, os representantes empresariais partilharam preocupações relacionadas com o acesso a oportunidades de fornecimento, com a centralização das operações no acampamento de Afungi e com a necessidade de reforçar os canais de comunicação entre a multinacional e os operadores locais.Rabilloud reconheceu as limitações existentes e assegurou que, com o levantamento da cláusula de “força maior”, a TotalEnergies pretende intensificar a implementação da sua política de conteúdo local, referindo ainda que “parte significativa dos produtos alimentares já é adquirida a fornecedores sediados em Palma, e que há planos para alargar esse modelo a outros sectores de actividade”, assinalou.Em relação à componente técnica do projecto, o director-geral indicou que cerca de 90% das obras de engenharia em Afungi estão concluídas, incluindo estruturas preparatórias para a instalação da unidade de liquefacção de gás. Informou igualmente que as turbinas e demais equipamentos críticos estão a ser construídos fora do País, com chegada prevista logo após a formalização da retoma.Está também em curso a preparação de uma base logística marítima em Afungi, concebida para receber navios de grande porte e apoiar a movimentação de materiais de dimensão industrial. Esta infra-estrutura é considerada essencial para viabilizar as operações a longo prazo.A presença da TotalEnergies em Palma mantém-se acompanhada de medidas de segurança reforçadas, asseguradas pelas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e por efectivos internacionais, incluindo tropas do Ruanda, cuja actuação foi recentemente consolidada após entendimentos bilaterais ao mais alto nível.O projecto Mozambique LNG é o maior investimento privado em execução no País e representa uma expectativa significativa para a economia nacional, através da criação de emprego, do aumento das exportações e da geração de receitas fiscais. A sua reactivação formal está a ser aguardada com atenção por múltiplos sectores e poderá marcar uma nova etapa para o desenvolvimento socioeconómico de Cabo Delgado.
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