
Em conferência de imprensa realizada hoje para apresentar os resultados do sistema de controlo de qualidade sobre a atividade de auditoria relativo ao ciclo 2024/2025, o administrador da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) José Miguel Almeida vincou que as empresas de revisão legal de contas precisam de crescer para investirem em tecnologia, formação de equipas, atração de quadros ou segurança dos sistemas para lidarem com auditorias mais complexas. “Sabemos que essa massa crítica se consegue, como em todas as empresas no mercado, com uma determinada dimensão económica. Essa dimensão económica vem por via das receitas, da capacidade de faturação e essa capacidade de faturação é que dá espaço para fazer os investimentos na atividade”, afirmou o vogal do Conselho de Administração da CMVM. No relatório hoje divulgado, que cobre a atividade realizada de 01 de julho de 2024 a 30 de junho de 2025, o supervisor refere que as fusões, as aquisições e a entrada de novos acionistas nas auditoras “permitem melhorar a auditoria desde que existam mecanismos eficazes de governação, controlo e supervisão interna que garantem a independência, qualidade e integridade da atividade”. José Miguel Almeida frisou que o supervisor não está a defender fusões entre entidades de auditoria como modelo a seguir. “A CMVM não tem enviesamento de preferência, seja por operações de fusões e aquisições, seja por crescimento orgânico. A CMVM é agnóstica relativamente a esta matéria”, esclareceu, quanto instado a esclarecer a posição da entidade de regulação. O crescimento orgânico “é mais demorado” e obriga a “um esforço de atração de clientes que, naturalmente, leva mais tempo”, disse. Para a CMVM, estando o mercado aberto, “é fundamental” que os auditores “estejam bem preparados e façam a evolução natural relativamente às necessidades do mercado”, competindo-lhes saber “como querem organizar-se”. “A CMVM é agnóstica quanto a modelo”, repetiu, dizendo que o importante é que as garantias de “bom governo” estejam presentes quando as empresas crescem. “O que a CMVM tem vindo a chamar a atenção é que, tendo em consideração que o exercício de atividade de auditoria nos tempos atuais, (esta é uma atividade que) requer uma massa crítica”, vincou, dizendo que “essa massa crítica permite fazer investimento, seja em tecnologia, seja em talento, atração, manutenção, formação de equipas”, segurança “dos sistemas e dos meios” e contratação de “especialistas para apoiar auditorias a entidades mais complexas”. “Estar preparado no passado não quer dizer que se esteja preparado no presente e também não é uma garantia de estar preparado para o futuro, tendo em consideração que vivemos todos em mercados dinâmicos”, afirmou. No relatório hoje divulgado, a CMVM diz ter identificado, entre julho de 2024 e junho de 2025, 121 irregularidades praticadas por auditoras e aplicado 24 contraordenações muito graves e 32 graves. Leia Também: CMVM identifica 121 irregularidades praticadas por auditoras
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