A Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) vai distribuir dividendos no valor bruto de 419,81 meticais (6,5 dólares) por acção, a partir de 23 de Outubro, referentes ao exercício económico de 2024/2025, apesar da queda de 15% nos lucros registados no mesmo período. Segundo informou a Lusa, a decisão foi tomada em assembleia-geral ordinária realizada a 30 de Setembro e reflecte, segundo a administração, a capacidade da petrolífera estatal em manter uma remuneração atractiva aos seus accionistas, apesar dos desafios operacionais e da retracção da receita. Conforme consta do relatório e contas da companhia, consultado esta semana, o lucro líquido da CMH caiu para 46,7 milhões de dólares no último ano fiscal, face aos 54,7 milhões registados no exercício anterior. A administração atribui este recuo ao declínio acentuado dos reservatórios de gás dos campos de Pande e Temane, localizados na província de Inhambane, bem como a constrangimentos operacionais e à volatilidade dos preços internacionais do petróleo. “O ano transacto foi bastante desafiante, visto que as operações de produção continuaram condicionadas a vários factores endógenos e exógenos, num ambiente influenciado pela actual conjuntura geopolítica internacional, que afectou a procura de gás natural, condensados e respectivos preços”, lê-se na mensagem do Conselho de Administração, liderado por Arsénio Mabote. A empresa assinala que, apesar das dificuldades, deu continuidade a projectos de manutenção e optimização da capacidade produtiva, apostando na maximização da recuperação de gás através da reabilitação de reservatórios e abertura de novos furos. Estas medidas visam garantir o cumprimento das obrigações contratuais assumidas ao abrigo do Acordo de Produção de Petróleo assinado com o Governo moçambicano em Outubro de 2000. A CMH desenvolve a sua actividade em parceria com a sul-africana Sasol Petroleum Temane (SPT), no quadro de Acordos de Operações Conjuntas assinados em Dezembro de 2002, e está integrada nos projectos de produção e venda de gás natural extraído dos campos de Pande e Temane. A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), também estatal, detém 70% do capital social da CMH. O relatório da companhia sublinha ainda que, para manter um desempenho sustentável, será necessário identificar novas oportunidades que acrescentem valor ao negócio, com o apoio dos seus accionistas, num esforço conjunto para garantir a continuidade da actividade a longo prazo. Apesar da queda na venda de gás natural – estimada em 9% face ao período anterior –, a administração garante que a companhia mantém indicadores sólidos de viabilidade financeira e pretende continuar a oferecer rendimentos atractivos aos seus investidores nos próximos exercícios económicos.
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