
O Conselho da União Europeia anunciou, em 09 de janeiro, a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul, que vai eliminar as tarifas sobre 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos, enquanto acabam, progressivamente, as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul num período de até 10 anos. Em comunicado hoje divulgado, a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) afirma que o acordo abre “grandes perspetivas de crescimento económico nos dois lados do Atlântico” e é “uma boa notícia para as empresas” da União Europeia (UE), dado que “representa uma oportunidade para reverter o arrefecimento genérico que se verificou nos mercados ao longo de 2025”, o qual, segundo a confederação, foi “agravado” pela política tarifária dos EUA. Para a CIP, “as dificuldades sentidas, quer pelos países da União Europeia, quer pelos países do Mercosul, na relação comercial com os Estados Unidos desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, podem, a partir de 2026, ser compensadas pelo alargamento dos mercados para as empresas às geografias do outro lado do Atlântico”. Neste contexto, a confederação apela para que a UE e os seus Estados-membros invistam em políticas públicas que permitam “abrir novos mercados”. “É fundamental que os governos, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia cumpram as promessas de reformas que fizeram, por forma a permitir que as empresas invistam e criem empregos”, afirma o presidente da CIP, citado na mesma nota. “A diversificação comercial deve ser o foco essencial dos governos e das empresas europeias nos próximos anos, utilizando todo o potencial de crescimento que o acordo UE-Mercosul representa”, defende Armindo Monteiro. Segundo a CIP, a soma dos mercados da UE com o Mercosul “representa um produto interno bruto (PIB) combinado de cerca de 20 biliões de euros”, e “reunirá 700 milhões de consumidores e passará a representar 25% das trocas globais”. No que toca especificamente ao mercado português, o presidente da CIP defende que “as empresas portuguesas têm qualidades e instrumentos para aumentar o valor acrescentado das suas vendas, melhorando de forma substancial as quotas de mercado na América Latina”. Apesar de sublinhar que “Portugal tem com o mercado do Mercosul uma relação desequilibrada”, com as importações a excederem as exportações, a confederação dos ‘patrões’ acredita que as empresas nacionais têm “instrumentos, competências e dinâmica” para inverter esta tendência e melhorar “de forma substancial as quotas de mercado na América Latina”. A confederação aponta “a língua e a proximidade cultural” como uma “vantagem relevante”, dado que “dos 270 milhões de consumidores que representa o mercado do Mercosul, cerca de 215 milhões estão no Brasil e falam português”. A CIP, considera, por isso, este acordo uma “oportunidade estratégica” para acelerar a transição da indústria nacional “para uma economia mais tecnológica, mais digital, com maior sustentabilidade energética e ambiental”. “Estas são grandes vantagens competitivas que importa afirmar e desenvolver: a sustentabilidade e a circularidade são fundamentais para que o tecido empresarial de Portugal possa competir na América Latina com o dinamismo económico americano e asiático”, conclui. A assinatura do acordo comercial no Gran Teatro José Asunción Flores, do Banco Central do Paraguai, contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, dos ministros os Negócios Estrangeiros dos países que compõem o Mercosul e ainda do atual líder do bloco sul-americano, o Presidente do Paraguai, Santiago Peña. Leia Também: UE/Mercosul: Acordo é “última chance” de o Atlântico “manter relevância”
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