Um grupo de investigadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveu um tecido inteligente capaz de mudar a sua forma e reduzir a resistência ao ar conforme a necessidade. A descoberta pode revolucionar o design de roupas desportivas, equipamentos de engenharia e até dispositivos vestíveis. O novo material, feito a partir de um meta-material têxtil, consegue criar pequenas ondulações na superfície — semelhantes às de uma bola de golfe — quando é esticado. Estas ondulações modificam o fluxo do ar, tornando o tecido mais aerodinâmico e permitindo melhor desempenho em altas velocidades. Imagine um ciclista ou esquiador a usar uma roupa que se adapta automaticamente ao vento e ao percurso, ajudando a reduzir o esforço e a ganhar velocidade. Essa é a visão por detrás da inovação liderada por David Farrell e a sua equipa. O princípio é o mesmo que faz as bolas de golfe voarem mais longe: as pequenas cavidades criam uma fina camada de turbulência que reduz o arrasto e melhora a fluidez do ar à volta do objecto. Graças à sua estrutura flexível e elástica, o tecido consegue mudar o tamanho e a forma das depressões de acordo com a velocidade do vento ou o movimento do corpo. Testes em túnel de vento mostraram que o material reduz a resistência ao ar até 20%, um resultado notável para aplicações desportivas e tecnológicas. Como foi feito o tecido inteligente? Os cientistas usaram um cortador a laser e uma prensa térmica para unir dois tipos de tecidos: um material preto mais rígido, semelhante à fita de uma mochila, e um tecido de malha cinzento, macio e elástico. O novo material, feito a partir de um meta-material têxtil, consegue criar pequenas ondulações na superfície — semelhantes às de uma bola de golfe — quando é esticado. Estas ondulações modificam o fluxo do ar, tornando o tecido mais aerodinâmico e permitindo melhor desempenho em altas velocidades Com um processo de fabrico em duas etapas, cortaram padrões geométricos — como quadrados e hexágonos — e uniram as camadas para criar um compósito têxtil adaptável. Após três mil simulações e inúmeros testes com diferentes formas e padrões, a equipa descobriu que certas combinações são mais eficientes para determinadas velocidades do vento. “Conseguimos controlar o tamanho e o formato das ondulações,” explicou Farrell. “Quando testámos no túnel de vento, percebemos que cada padrão se comporta melhor em faixas específicas de velocidade.” Um tecido que desafia as regras Normalmente, quando um tecido é esticado, torna-se mais liso e justo ao corpo. Mas este novo material faz o oposto: cria pequenas rugas controladas que melhoram a aerodinâmica. “O nosso tecido quebra as regras. Graças ao padrão de treliça, ele expande-se em vez de apertar, o que muda completamente a forma como pensamos a roupa funcional. É uma aplicação inédita de princípios de meta-materiais em vestuário”, afirmou Farrell. Com o avanço da investigação, os cientistas acreditam que a roupa do futuro poderá adaptar-se automaticamente às condições do ambiente, tornando-se mais eficiente, confortável e sustentável. Fonte: Inovação Tecnológica

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