A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou esta terça-feira (21) que a produção de carvão mineral em Moçambique poderá diminuir devido às chuvas intensas e ao impacto das alterações climáticas. A agência apelou ao reforço dos sistemas de alerta e prevenção de desastres naturais no País.

“A produção de carvão em Moçambique ficará provavelmente exposta a chuvas cada vez mais fortes, inundações e precipitações excessivas, que podem afectar ou mesmo suspender as actividades de mineração, aumentando o risco de alagamentos e encharcamento das minas”, afirmou Rita Madeira, gestora do Programa África da AIE, uma iniciativa que acompanha e apoia o desenvolvimento energético no continente africano.

Rita Madeira falava em Maputo, durante a apresentação da Avaliação Nacional da Resiliência Climática de Moçambique, realizada no âmbito da Semana de Energia e Clima na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre até sexta-feira.

A especialista alertou que as inundações podem interromper o transporte de carvão por ferrovia e reduzir a qualidade do produto devido ao alto teor de humidade. Recordou ainda que, em 2018, chuvas intensas provocaram uma redução na produção anual de duas minas de carvão no País.

A AIE reconhece que Moçambique tem feito progressos no aumento da resiliência climática, sobretudo através do investimento em energias renováveis. No entanto, recomenda que o País melhore a monitorização meteorológica e os sistemas de alerta para prevenir impactos mais graves.

Analistas sugerem também que Moçambique avance na interligação da rede eléctrica entre as regiões sul e norte e modernize as infra-estruturas, de modo a reduzir os efeitos dos ciclones no abastecimento de electricidade.

A agência sublinhou ainda que, para reduzir riscos, danos e perdas em activos energéticos, é fundamental considerar projecções sobre alterações dos padrões climáticos, incluindo inundações e secas, na localização de novos projectos.

O evento, coordenado pela Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) e pela Associação de Reguladores de Energia dos Países de Língua Oficial Portuguesa (RELOP), contou com a presença de representantes governamentais, financiadores e especialistas.

Moçambique, um dos dez países mais vulneráveis do mundo, já enfrentou mais de 75 eventos climáticos extremos desde 2000, com perdas superiores a 4,4 mil milhões de dólares (279,9 mil milhões de meticais). A AIE alertou que, para 2025-26, se prevêem cheias que poderão afectar cerca de 1,2 milhão de pessoas.

Recentemente, o Executivo aprovou o plano de contingência para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais (217,1 milhões de dólares). No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais (93 milhões de dólares) da verba necessária.

Fonte: Lusa

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