A presidente do Banco Meão Europeu (BCE) alertou hoje que os choques na procura estão mais frequentes e as empresas mais rápidas a ajustar os preços, tornando a inflação mais volátil.
No exposição na receção do Fórum do BCE, que decorre em Sintra até quarta-feira, Christine Lagarde focou-se nas lições aprendidas na avaliação de estratégia do banco meão, apresentada hoje.
A responsável admitiu que o envolvente de incerteza veio para permanecer, numa profundeza em que há “sinais claros de que os choques de oferta estão a tornar-se mais frequentes”.
Neste contexto, as disrupções no fornecimento estão a levar as empresas a ajustar os preços com mais frequência, notou, o que contribui “para uma maior volatilidade da inflação”.
Esta situação não é exclusivamente temporária, mas sim “reflete uma mudança estrutural na forma uma vez que as empresas operam sob condições de incerteza permanentemente maior”, argumenta.
Tendo em conta esta volatilidade e incerteza, a equipa do BCE analisou uma vez que pode tornar a avaliação económica mais robusta, concluindo que a política monetária tem de ter em conta estes riscos nas previsões e passar a incluir e enviar mais cenários económicos alternativos.
Quanto à resposta do BCE aos choques que possam chegar, na revisão de estratégia definiram que se deve assumir um “compromisso simétrico para responder à dinâmica da inflação que pode desancorar as expectativas de inflação em qualquer direção”.
Desta forma, quando há riscos tanto para uma aceleração uma vez que um abrandecimento da inflação face à meta de 2% – que se manteve inalterada – devem ser aplicadas medidas “vigorosas”, uma vez que a compra de dívida.
O Juízo do BCE considera portanto que a reação exige uma “ação de política monetária apropriadamente enérgica ou persistente em resposta a desvios grandes e sustentados da inflação em relação à meta em qualquer direção”, resumiu Lagarde, salientando que continuam a racontar com todas as ferramentas que já tinham disponíveis.
A presidente do BCE assumiu que esta revisão não foi uma revolução, mas sim uma “evolução”, nomeadamente na forma uma vez que o banco meão deve enviar e também a resposta aos desafios.
Lagarde concluiu reiterando que, mesmo com o mundo em mudança, o BCE fará “o que for necessário” para testificar a firmeza de preços.
Além da referência a Mario Draghi, a citação escolhida para terminar foi do filósofo teutónico Nietzsche: “Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer uma vez que”.
O Fórum do BCE sobre Bancos Centrais decorre até quarta-feira em Sintra, contando com participantes uma vez que o presidente da Suplente Federalista dos EUA, Jerome Powell, e tem uma vez que tema “Adaptação à mudança: mudanças macroeconómicas e medidas de resposta”.
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