a d v e r t i s e m e n tO papel da China como principal financiador dos países em desenvolvimento mudou na última década, com os novos empréstimos aos países mais pobres a diminuírem drasticamente, enquanto os reembolsos da dívida continuam a aumentar, de acordo com uma análise divulgada pela plataforma de análise de dados ONE Data.
Segundo uma publicação da Reuters, o relatório inaugural da iniciativa ONE Data constatou que muitos países de baixa e média renda — particularmente em África — estão agora a transferir mais fundos para a China em pagamentos de dívidas do que recebem em novos financiamentos da segunda maior economia do mundo.
A mudança coincidiu com um aumento no financiamento líquido de instituições multilaterais, que se tornaram a principal fonte de financiamento ao desenvolvimento, uma vez que as saídas de serviço da dívida são levadas em consideração.
Os credores multilaterais aumentaram o financiamento líquido em 124% na última década e agora fornecem 56% dos fluxos líquidos, o equivalente a 379 mil milhões de dólares entre 2020 e 2024, aponta a análise.
“O facto de os novos empréstimos terem diminuído acentuadamente, mas os compromissos de reembolso dos empréstimos anteriores persistirem, constitui a raiz das saídas líquidas de capital desses países”, afirmou David McNair, director-executivo da ONE Data.
Em 2020-24, o período mais recente para o qual existem dados disponíveis, África sofreu o maior impacto, com um influxo de 30 mil milhões de dólares em 2015-19 a transformar-se num escoamento de 22 mil milhões de dólares.
Os dados não incluem cortes que entraram em vigor em 2025. O encerramento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) no ano passado e uma queda nas alocações de outros países desenvolvidos já afectaram as economias em desenvolvimento, especialmente em África.
“Quando os dados de 2025 estiverem disponíveis, é provável que mostrem uma grande queda nos fluxos de ajuda oficial ao desenvolvimento”, frisou McNair.
De acordo com o responsável, a tendência era de “negativa líquida” para as nações africanas, já que muitos Governos enfrentam dificuldades para financiar serviços públicos e investimentos — mas, ao mesmo tempo, promoveria a responsabilidade interna, uma vez que os Governos dependem menos do financiamento externo.
O relatório também destacou um declínio mais amplo nos fluxos financeiros bilaterais e na dívida externa privada — tendências que provavelmente serão exacerbadas pelos cortes na ajuda a partir de 2025.
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