O ministério do Comércio chinês indicou que vai “avaliar e investigar” o enquadramento legal da operação, que envolveu a mudança da sede da Manus para Singapura antes da sua venda ao grupo que detém o Facebook, Instagram e WhatsApp, segundo declarou o porta-voz da tutela, He Yadong, citado por órgãos de comunicação locais. O responsável sublinhou que a China “apoia consistentemente as operações transfronteiriças e a cooperação tecnológica internacional das empresas”, desde que realizadas “de acordo com as leis e regulamentos”. “Empresas que realizem investimentos no exterior, exportem tecnologia, transfiram dados ou acordem fusões e aquisições devem cumprir a legislação chinesa e seguir os procedimentos legais”, acrescentou. O governo chinês pediu a algumas empresas tecnológicas do país que suspendam as encomendas de ‘chips’ GPUs de IA H200 da Nvidia, avançou o portal The Information. Lusa | 20:08 – 07/01/2026 O jornal britânico Financial Times revelou que o negócio motivou um inquérito por parte das autoridades chinesas, num contexto em que Pequim tem apertado a vigilância sobre empresas que transferem operações para fora do país visando escapar ao escrutínio regulatório. Cui Fan, professor da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim, considerou nas redes sociais que a investigação deve apurar se os programadores da Manus desenvolveram tecnologia sujeita a controlo enquanto ainda estavam na China. “Pensar que cortar laços com a China permite contornar os enquadramentos regulatórios da China e dos Estados Unidos é uma visão simplista”, apontou. A operação surgiu após uma ronda de financiamento liderada pela norte-americana Benchmark, num cenário de crescentes restrições por parte de Washington ao investimento dos EUA em IA chinesa. A venda da Manus representou um caso raro de aquisição de uma empresa tecnológica chinesa por uma firma norte-americana, num ambiente de guerra comercial que opõe as duas potências desde 2018. A China definiu 2027 como meta para garantir um fornecimento seguro e fiável de tecnologias-chave para inteligência artificial (IA), numa altura em que disputa com os EUA a liderança neste setor estratégico, segundo um plano hoje divulgado. Lusa | 08:07 – 08/01/2026 Segundo analistas, o Governo chinês utilizou mecanismos semelhantes de investigação para impedir a venda forçada do TikTok durante o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump. Contudo, fontes próximas do processo indicaram que as autoridades não consideram o assistente de IA da Manus como uma “tecnologia vital”, o que poderá reduzir a probabilidade de bloqueio da operação. A Manus ganhou notoriedade após o lançamento de uma versão preliminar do seu assistente de IA, acessível apenas por convite, que se destacou pela capacidade de realizar tarefas com menos instruções do que outros ‘chatbots’. Leia Também: “Num mundo de IA, dados são mais valiosos do que ouro ou petróleo”

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