A China deixou de ser o maior credor de Angola em 2025, tendo sido ultrapassada pelo endividamento interno, revelou, nesta terça-feira, 27 de Janeiro, o director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública, Dorivaldo Teixeira.

Segundo noticiou a Lusa, o responsável, que apresentou a estratégia de endividamento para o período 2026-28, destacou a evolução do perfil da dívida nos últimos anos e a redução do peso dos credores externos, em particular da China.

“Entre 2021 e 2025 saímos de um rácio de dívida pública sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 69% para 50,5%, com uma subida ligeira da dívida externa”, afirmou.

De acordo com Dorivaldo Teixeira, em 2025 os credores internos passaram a ser o principal credor de Angola, representando cerca de 28% do stock da dívida, seguido do Reino Unido, com 22%, enquanto a China passou para a terceira posição, com 19%, depois de deter 34% da dívida angolana em 2020.

O responsável sublinhou ainda a redução significativa da dívida colateralizada com a China, que passou de 16,3 mil milhões de dólares em 2020 para cerca de 7,3 mil milhões de dólares em 2025, deixando de ser “um elemento de pressão” na gestão da dívida pública.

Relativamente às emissões de eurobonds (títulos de dívida emitidos em moeda estrangeira), Dorivaldo Teixeira afirmou que a principal preocupação é harmonizar o calendário de emissões para evitar concentrações excessivas de vencimentos em anos consecutivos, como é o caso de 2028 e 2029.

Quanto à evolução das metas estratégicas definidas pelo Executivo, Teixeira admitiu que nem todos os objectivos foram ainda plenamente alcançados, apontando como exemplos a percentagem da dívida com vencimento a um ano e a taxa de juro média ponderada da dívida pública.

A estratégia de endividamento de Angola tem privilegiado a redução dos compromissos garantidos por petróleo. Já foram integralmente liquidados os montantes devidos a credores brasileiros e israelitas, medida que reforça a resiliência da carteira financeira do país face a choques externos, sobretudo às oscilações do mercado petrolífero, segundo um documento oficial.

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