A empresa pública Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) transportou, desde terça-feira (27), mais de 1700 passageiros entre o distrito de Magude, no sul do País, e a cidade de Maputo, em resposta ao corte da Estrada Nacional Número 1 (N1), interrompida pelas chuvas intensas que afectam a região, segundo informou a Lusa. “Só no que sai de Magude hoje, estamos a falar de 1050 pessoas que saem para Maputo. O que saiu de Maputo para lá, à partida tinha 350 passageiros, mas até à chegada já tinha 659”, declarou Arnaldo Manjate, director de operações ferroviárias dos CFM na zona Sul. Face à situação de emergência provocada pelas inundações, a empresa ferroviária estatal deu início, na terça-feira, ao transporte de pessoas e bens entre Maputo e Magude, na margem norte da província de Maputo. Está previsto para quinta-feira um segundo comboio com capacidade para 1500 passageiros, com partida da Estação Central de Maputo às 08h00 e chegada estimada a Magude por volta das 13h00. Para o mesmo destino, os CFM preêem ainda o envio de um comboio de carga, também com capacidade para 1500 vagões, cuja partida está agendada para as 10h00 de sexta-feira. De acordo com o director de operações ferroviárias dos CFM-Sul, encontram-se já disponíveis 12 camiões com diversos produtos para transporte, estando prevista a chegada de mais unidades nas próximas horas. “Estes comboios são mesmo para responder à situação de emergência, para atender às necessidades. Esta é uma alternativa, tendo em conta que a N1 está cortada pelas cheias, e visa reduzir os seus impactos negativos”CFM “Estes comboios são mesmo para responder à situação de emergência, para atender às necessidades. Esta é uma alternativa, tendo em conta que a N1 está cortada pelas cheias, e visa reduzir os seus impactos negativos”, sublinhou o responsável. Os CFM retomaram, na segunda-feira, o transporte de passageiros no sul do País, após uma interrupção de 12 dias motivada pelas inundações. Num comunicado, a empresa indicou ter sido restabelecida a circulação de passageiros na linha de Goba, bem como nas ligações de Matola-Gare, Manhiça e Marracuene, integradas nas linhas de Ressano Garcia e Limpopo, respectivamente. O Presidente da República, Daniel Chapo, assegurou esta terça-feira que a circulação rodoviária na N1 será restabelecida num prazo máximo de duas semanas, tratando-se da via principal do País. No mesmo dia, o Governo avaliou em 644 milhões de dólares os prejuízos causados pelas inundações nas infra‑estruturas, tendo anunciado um plano de reconstrução para fazer face aos danos registados. As cheias das últimas semanas provocaram já 14 mortos e afectaram quase 692 mil pessoas, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). A base de dados do INGD, com informações recolhidas até às 15h30 de terça-feira, indica ainda 154 960 casas inundadas, 3447 parcialmente danificadas e 771 totalmente destruídas. Desde 7 de Janeiro, registara-se também 45 feridos, quatro desaparecidos e famílias ainda à espera de resgate, sobretudo no sul de Moçambique. No total, desde o início da época chuvosa, em Outubro, contabilizam-se 137 mortos, 148 feridos e 812 335 pessoas afectadas. Estão actualmente activos 100 centros de acolhimento, com 94 657 pessoas, sendo que 11 estruturas já foram encerradas. O INGD dá ainda conta de 229 unidades sanitárias, 353 escolas, quatro pontes e 1336 quilómetros de estrada afectadas desde o início do ano. Vários países e organizações internacionais, incluindo a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega, Japão e vizinhos da África Austral, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência para apoiar a resposta nacional à crise.advertisement
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