O Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), empresa pública responsável pela exploração ferroviária no centro e leste de Angola, investiu perto de 2 milhões de dólares na aquisição de rodados para 50 carruagens, importados da África do Sul. A informação foi avançada esta quinta-feira, 5 de Fevereiro, pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa, António Cabral. O dirigente falava à imprensa à margem da Reunião de Alto Nível sobre o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito (Engine Room), um encontro promovido pelo Governo angolano em parceria com o Banco Mundial (BM). O Corredor do Lobito é um eixo ferroviário e logístico que liga o Porto do Lobito, na costa atlântica de Angola, às regiões do interior do país e aos países vizinhos da África Central e Austral. Segundo António Cabral, para além da aquisição dos novos rodados, o CFB está igualmente a realizar trabalhos de reparação e reabilitação de carruagens antigas, em operação desde 2011. Estas intervenções visam assegurar a melhoria contínua da qualidade do transporte ferroviário de passageiros e de mercadorias. O PCA da companhia revelou ainda que, em 2025, o CFB transportou 1,6 milhão de passageiros ao longo do Corredor do Lobito, o que representa um crescimento de 26% face a 2024. De acordo com António Cabral, a expectativa é que os indicadores continuem a melhorar nos próximos anos, sustentados pelo reforço da qualidade dos serviços prestados à população. No mesmo período, foi concluída a importação de 200 rodados destinados às carruagens. Paralelamente, o CFB recebeu metade dos 48 rodados previstos para as locomotivas, processo que, segundo o gestor, decorre de forma faseada. António Cabral sublinhou que estes investimentos resultam directamente da concessão dos serviços ferroviários e de logística do Corredor do Lobito, um projecto estruturante que permite ao CFB assegurar a manutenção, modernização e sustentabilidade do material circulante. “Os valores que vamos recebendo, tanto das rendas variáveis como das rendas fixas do projecto de concessão, bem como do prémio de concessão, estão a ser aplicados na manutenção e recuperação das carruagens”, afirmou o PCA. O CFB constitui a principal infra-estrutura ferroviária do Corredor do Lobito, estendendo-se por cerca de 1300 quilómetros desde o Porto do Lobito, em Angola, até à fronteira com a República Democrática do Congo (RDC). A linha ferroviária serve as regiões mineiras congolesas e está igualmente prevista a sua extensão até à Zâmbia, reforçando a integração regional e o escoamento de produtos minerais para os mercados internacionais. Fonte: Lusa
Painel