A Associação dos Produtores de Açúcar de Moçambique (Apamo) alertou para os desafios que se vivem no controlo de qualidade dos produtos que chegam ao consumidor e pediu a revisão do regulamento sobre fortificação, assim como uma maior fiscalização nas fronteiras e nos mercados comerciais. A questão foi destacada durante a 20.ª edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2025), que teve lugar desde quarta-feira (12) em Maputo. “O controlo de qualidade ainda é um desafio, para nós e para o Governo. Acho que podemos melhorar, temos parceiros que podem ajudar-nos a garantir que este controlo de qualidade seja efectivo”, afirmou o director-executivo da Apamo, Orlando da Conceição, durante o evento que incluiu a discussão de projectos avaliados em 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 94,8 mil milhões de meticais). Orlando da Conceição considerou que o maior problema reside na fiscalização da importação de produtos nas fronteiras e nos mercados comerciais. “Não adianta termos industriais a fortificarem quando entram produtos, no nosso mercado, que não são fortificados”, sublinhou, reforçando a necessidade de maior controlo sobre os produtos importados. O director-executivo da Apamo apelou à revisão do regulamento nacional sobre fortificação, sublinhando tratar-se de um tema ainda relativamente novo. “Seria importante não esperarmos mais 10 anos para rever este regulamento, porque a fortificação de produtos é um assunto novo para todos”, afirmou Orlando da Conceição, destacando a necessidade de monitorização contínua e de alternativas eficazes para combater a desnutrição no País. No mesmo evento, a coordenadora nacional do Programa de Fortificação de Alimentos do Ministério da Economia, Eduarda Mungoi, enfatizou os avanços registados na fortificação de produtos e a importância da formação e da sensibilização das comunidades. Segundo a responsável, estas acções são essenciais para promover uma saúde pública equilibrada e sustentável em Moçambique. A CASP 2025 decorreu desde quarta-feira sob o tema “Reformar para Competir: Caminhos para Relançamento Económico” e incluiu painéis temáticos, encontros bilaterais e de negócios. O evento reuniu mais de 2000 participantes, 40 oradores e 80 expositores, promovendo debates sobre investimentos e projectos estratégicos para o País. Paralelamente, realizou-se a Mozambique Home Expo, uma exposição à margem da CASP 2025, com foco no estímulo do acesso à habitação a preços acessíveis. A iniciativa permitiu a apresentação de soluções inovadoras, reforçando o papel do sector privado no desenvolvimento económico e social de Moçambique. O debate sobre a fortificação de produtos e fiscalização, liderado pela Apamo e pelo Ministério da Economia, evidencia a necessidade de medidas concretas para garantir que os consumidores recebam produtos de qualidade e que o País avance na luta contra a desnutrição. O reforço da lei e da fiscalização surge como um passo essencial para proteger a saúde pública e fortalecer a indústria açucareira nacional. Fonte: Lusa
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