O Presidente de Angola, João Lourenço, afirmou nesta terça-feira (28), durante a abertura da 3.ª Cimeira para o Financiamento de Infra-estruturas em África, que Angola tem capacidade para gerar energia eléctrica suficiente para satisfazer as necessidades internas e manifestou disponibilidade para partilhar o excedente com países vizinhos, desde que surjam investidores interessados. Durante o evento que decorre em Luanda, o chefe do Estado angolano afirmou que a energia eléctrica gerada em Angola tem capacidade para atender às necessidades do país, à qual a barragem hidroeléctrica de Caculo Cabaça vai acrescentar 2172 megawatts (MW), e lembrou que existe “um enorme potencial energético por aproveitar” se forem construídas novas barragens, incluindo o projecto transnacional de Baynes, partilhado com a Namíbia. “No conjunto destas potenciais fontes de produção de energia hidroeléctrica pode-se ganhar mais de 8 mil MW adicionais, que podem colocar o país a produzir 14 845 MW nas próximas duas décadas”, afirmou, advertindo, no entanto, que é preciso investir na rede de transmissão e distribuição para que a energia chegue a todo o território.advertisement Neste âmbito, está prevista a ligação de Cabinda à rede nacional de energia a partir do Soyo, por via de um cabo submarino. “É nossa intenção partilhar com os países vizinhos da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) e da África Central parte da energia que produzimos, desde que surjam investidores interessados em construir as linhas de transporte de energia, num regime de parceria público-privada”, frisou o Presidente angolano, que apontou ainda o desenvolvimento de infra-estruturas de água e telecomunicações. Neste campo, adiantou, Angola está a investir em mais um satélite para observação da Terra e a alargar a rede nacional de fibra óptica em todo o país. João Lourenço referiu também a necessidade de encontrar “as melhores soluções de financiamento de infra-estruturas, não apenas para servir cada país isoladamente, mas sobretudo para que possam partilhá-las no âmbito da integração regional e continental.” Destacou ainda a importância do Corredor do Lobito, “para Angola, para a região da SADC e para a economia mundial, por encurtar o tempo do transporte marítimo entre a Ásia, África, Europa e América, e, consequentemente, baixar os custos dos bens e produtos de exportação.” O governante salientou que o desenvolvimento de infra-estruturas é essencial para criar empregos, promover o comércio e melhorar as condições de vida das populações, esperando que a cimeira “facilite o diálogo de alto nível e alcance resultados concretos no financiamento dos projectos.” O chefe de Estado lembrou que Angola assinala a 11 de Novembro os 50 anos de independência, destacando o desenvolvimento de grandes infra-estruturas como o novo Aeroporto Internacional António Agostinho Neto, a construção de aeroportos em capitais provinciais, a ampliação dos principais portos nacionais e o novo porto de águas profundas do Caio, em Cabinda. Fonte: Lusa
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