A Câmara Africana de Energia (CAE) defendeu, nesta segunda-feira (5), que a comunidade internacional e a indústria petrolífera devem apoiar a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, para garantir a estabilidade, encarada como condição fundamental para o desenvolvimento económico. “A CAE apela à indústria energética e à comunidade internacional para que prestem o máximo apoio à Presidente interina Rodriguez, incentivando a unidade, a continuidade institucional e um programa de desenvolvimento conduzido à escala nacional”, lê-se num comunicado divulgado nesta segunda-feira por esta entidade, que defende os investimentos energéticos no continente africano. “A Venezuela entra no ano de 2026 num clima de crescente incerteza após a prisão do seu Presidente, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos da América (EUA) e o anúncio pelo Supremo Tribunal da nomeação de Delcy Rodriguez para o cargo de Presidente interina.” Os “acontecimentos recentes voltaram a colocar em evidência a importância da continuidade e da estabilidade institucionais num momento em que o futuro económico e energético da Venezuela é incerto”, aponta a comunidade no texto, e defende que “a estabilidade continua a ser a condição essencial para o desenvolvimento” e para desbloquear o “enorme potencial energético” deste país. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, 300 mil milhões de barris que representam 17% das reservas mundiais, mais do que os quase 270 mil milhões de barris da Arábia Saudita e muito acima dos 45 mil milhões de barris de reservas dos EUA, o maior produtor mundial. Estes recursos, diz a CAE, podem “transformar a trajectória económica do país, reconstruir as suas infra-estruturas e restabelecer a sua segurança energética”, mas, acrescenta, “a concretização desse potencial dependerá de uma governação previsível, de uma gestão responsável dos recursos e da criação de quadros contratuais mutuamente vantajosos que incentivem os investimentos a longo prazo.” A Venezuela, garante a CAE, “não está isolada do diálogo energético do Sul global”, até porque, enquanto “membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), foi ponta-de-lança da integração dos países africanos na organização, reconhecendo o seu papel na estabilização dos mercados energéticos mundiais” e, para além disso, é membro honorário da Organização dos Produtores Africanos de Petróleo. Apesar das dificuldades económicas dos últimos anos, “o petróleo continua a ser o pilar da economia e a alavanca mais poderosa de que dispõe para acelerar a recuperação”, sublinha a CAE, lembrando que os hidrocarbonetos valem cerca de 90% das receitas de exportação e mais de metade das receitas do Governo, contribuindo com 17% a 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Produção petrolífera pode atingir 2,5 milhões de barris por dia na próxima década A Venezuela produz actualmente cerca de um milhão de barris por dia, ao nível de Angola, e muito abaixo do pico de quase 3,5 milhões de barris diários atingido nos anos 90, refere a CAE. “Com uma governação estável, regulamentação clara e investimentos sustentados de cerca de 10 mil milhões de dólares por ano, a produção do país poderá atingir 2,5 milhões de barris diários na próxima década, e o regresso aos níveis máximos exigirá investimentos acumulados da ordem dos 80 a 100 mil milhões de dólares.” “A Venezuela possui uma riqueza natural extraordinária, e a lição aprendida com África é clara: quando a estabilidade é uma prioridade e o sector energético é autorizado a funcionar de forma responsável, os hidrocarbonetos podem ser o motor da recuperação, da unidade e do desenvolvimento a longo prazo”, afirmou o líder da CAE, AJ Ayuk, citado no comunicado. A Venezuela produz actualmente cerca de um milhão de barris de petróleo por dia Os EUA lançaram no sábado (3) “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, capturando o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela entregou a Presidência interina à vice-presidente executiva, Delcy Rodriguez, “de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação.” A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação da acção dos EUA e o júbilo pela queda de Maduro. Fonte: Lusa
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