advertisemen tA Câmara Africana de Energia criticou duramente a recente decisão do Governo do Reino Unido de se retirar do financiamento ao megaprojecto de gás natural em Moçambique, liderado pela empresa francesa TotalEnergies, classificando a medida como uma “traição ao direito de África à segurança energética”. Segundo a Lusa, a posição foi tornada pública esta segunda-feira (8), através de um comunicado enviado à imprensa, no qual o presidente da instituição, NJ Ayuk, sublinha que a retirada do apoio britânico representa um revés para a justiça energética no continente africano e enfraquece os esforços de acesso universal a energia fiável. “A retirada do Reino Unido do financiamento do Gás Natural Liquefeito de Moçambique é um golpe para a justiça energética africana; é uma bofetada na cara do progresso para os milhões de pessoas que ainda vivem sem energia”, afirmou Ayuk, alertando que este episódio deve servir de chamado à acção e de prova de que o futuro energético africano não pode continuar dependente de financiamentos externos. O Reino Unido, através da agência de crédito à exportação UK Export Finance (UKEF), anunciou o cancelamento da sua participação no projecto Mozambique LNG, tal como os Países Baixos, cuja agência Atradius também se retirou do consórcio. A decisão conjunta representa aproximadamente 10% do financiamento externo, montante estimado em 1,1 mil milhões de dólares. Apesar desta saída, a TotalEnergies garantiu que o projecto prossegue e que os restantes parceiros acordaram em suprir o valor em falta com capital adicional. A Câmara Africana de Energia considera que esta decisão reflecte a interferência de agendas políticas e ideológicas ocidentais nos processos de desenvolvimento africano, num momento em que os mercados energéticos globais enfrentam elevada pressão. “O Reino Unido parece mais empenhado em considerações ideológicas do que em soluções práticas para combater a pobreza energética persistente em África”, sublinhou Ayuk. Recordando que os desafios de segurança que, em 2021, levaram à suspensão das operações da TotalEnergies em Cabo Delgado foram substancialmente mitigados, a Câmara assinala que o Banco de Exportações e Importações dos Estados Unidos (US Eximbank) reaprovou, em 2025, um empréstimo ao projecto, o que demonstra maior confiança na estabilidade local. A entidade energética defende que os projectos de Gás Natural Liquefeito em África devem ser promovidos e defendidos por africanos, para africanos, com prioridade na criação de empregos e no combate à pobreza energética. “África não precisa de lições morais sobre o clima de nações que consomem energia a níveis incomparavelmente superiores às necessidades africanas”, acrescentou o presidente da Câmara, frisando que o continente necessita de parcerias que respeitem os seus calendários, prioridades e soberania no processo de desenvolvimento. Moçambique conta actualmente com três megaprojectos aprovados para exploração de gás na bacia do Rovuma, ao largo da província de Cabo Delgado, considerada uma das maiores reservas mundiais de gás natural.
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