advertisemen tOs bancos multilaterais de desenvolvimento (BMD) concederam, em 2024, um financiamento climático recorde de 137 mil milhões de dólares, um aumento de 10% face ao ano anterior. O valor, apresentado no Relatório Conjunto sobre Financiamento Climático dos BMD, sublinha a urgência do investimento global na transição energética e o papel essencial destas instituições na redução da lacuna de financiamento. Mais de 85 mil milhões de dólares foram dirigidos a países de baixo e médio rendimento, o que representa um aumento de 14% em relação a 2023. Esta mudança de foco para as economias emergentes reflecte as suas maiores vulnerabilidades climáticas e as vastas oportunidades de crescimento verde. A maior parte deste financiamento teve como destino projectos de mitigação das alterações climáticas. O apoio à adaptação climática, essencial para lidar com secas, cheias e temperaturas extremas, está também a crescer. Países de elevado rendimento também foram apoiados, principalmente para projectos de mitigação. No entanto, a ênfase nos países em desenvolvimento revela uma mudança significativa nas prioridades globais de financiamento climático. Além dos empréstimos directos, os BMD ajudaram a mobilizar 134 mil milhões de dólares em financiamento privado para o clima, o que representa um aumento de 33% face ao ano anterior. Este esforço é essencial, pois os fundos públicos sozinhos não são suficientes para cobrir as enormes necessidades da transição energética. Ao reduzir os riscos dos projectos, os BMD actuam como multiplicadores, atraindo investidores privados. África destaca-se neste contexto, dada a sua grande vulnerabilidade aos efeitos das alterações climáticas, mas também pelo vasto potencial de energia renovável e recursos naturais. Como afirmou Anthony Nyong, do Banco Africano de Desenvolvimento, “África está a acelerar as acções que transformam o potencial verde do continente em energia, soluções baseadas na natureza, inovação e uma força de trabalho dinâmica.” Este financiamento, combinado com o investimento privado, oferece a África uma oportunidade única para acelerar o desenvolvimento de energias limpas, agricultura resiliente e infra-estruturas urbanas adaptadas ao clima. No entanto, para que os fundos se traduzam em resultados concretos, são necessários quadros políticos estáveis ​​e estruturas de governação eficazes. Estes avanços ocorrem num momento em que o mundo se prepara para a COP30, que terá lugar em Belém, Brasil, em 2025. As Conferências das Partes (COP) são encontros anuais organizados pelas Nações Unidas para discutir as alterações climáticas. Na COP29, realizada em Baku, os países acordaram em aumentar o financiamento climático global para, pelo menos, 1,3 bilião de dólares por ano até 2035. Para África, os riscos são elevados, mas as oportunidades também são vastas. Com políticas adequadas e o apoio financeiro dos BMD, o continente tem o potencial de dar um salto significativo para um modelo de crescimento sustentável. Os números recorde de 2024 mostram que o financiamento climático está a passar das promessas à acção, e África está a caminho de ser um dos seus maiores beneficiários.

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts