A directora-geral de Operações do Banco Mundial (BM) defendeu, esta quinta-feira, 5 de Fevereiro, em Luanda, capital angolana, que a coordenação transfronteiriça entre Angola, República Democrática do Congo e Zâmbia é determinante para o sucesso do Corredor do Lobito, e para que esta infra-estrutura se consolide como um motor de crescimento económico, integração regional e criação de emprego.
Intervindo na primeira reunião de coordenação de alto nível dedicada ao Corredor do Lobito, Anna Bjerde considerou que o projecto “é uma das iniciativas de desenvolvimento mais importantes de África”, sublinhando o seu potencial para dinamizar a economia regional, reforçar a integração entre os países envolvidos e gerar oportunidades de trabalho ao longo do eixo ferroviário.
Segundo Anna Bjerde, existem três grandes oportunidades para desbloquear todo o potencial do corredor, começando pela necessidade de investimentos coordenados em infra-estruturas, com enfoque na melhoria dos transportes e da logística, factores considerados essenciais para aumentar a eficiência e a competitividade desta ligação estratégica.
A responsável destacou ainda que os recursos naturais continuam a ser a âncora económica do corredor, recordando que a Zâmbia e a República Democrática do Congo fornecem, em conjunto, “mais de 17% do cobre mundial e mais de 70% do cobalto mundial”, minerais considerados críticos para a electrificação, o fabrico de baterias e o desenvolvimento do sector energético.
No entanto, alertou que o verdadeiro valor destes recursos depende da eficiência logística, explicando que o transporte pode demorar actualmente “até 22 dias desde a mina até ao porto”. O objectivo, segundo a dirigente, é reduzir este período para cerca de cinco dias, de forma a tornar a cadeia de abastecimento mais competitiva.
A segunda oportunidade identificada está relacionada com a diversificação económica, uma vez que a melhoria da logística poderá abrir novas oportunidades para agricultores e empresas agro-industriais em Angola, na Zâmbia e na República Democrática do Congo, permitindo o desenvolvimento de novas cadeias de valor ao longo do corredor.
A terceira dimensão apontada prende-se com a coordenação de políticas, tendo Anna Bjerde sublinhado que “as infra-estruturas, por si só, não são suficientes”. Neste sentido, defendeu a necessidade de quadros regulamentares previsíveis e de uma articulação institucional eficaz entre os países envolvidos.
A directora-geral de Operações do BM acrescentou que “procedimentos fronteiriços eficientes, sistemas interoperáveis e normas comuns podem parecer técnicos, mas determinam efectivamente se as infra-estruturas modernas produzem resultados reais”. Considerou, por isso, que o lançamento da reunião de coordenação constitui um passo crucial, garantindo que o BM está “totalmente empenhado nesta visão.”
Fonte: Lusa
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