O presidente da Comissão Organizadora da 3.ª edição da conferência BFSI Moçambique, Kekobad Patel, desafiou esta quarta-feira (17) o sector financeiro a assumir um papel mais estruturado e eficaz na transformação digital do País, reforçando a integração dos sistemas, a protecção de dados e a inclusão das pequenas e médias empresas (PME) no sistema formal. Patel afirmou que Moçambique atravessa um momento decisivo, em que a transformação digital deixou de ser uma aspiração para se tornar uma urgência nacional. Neste contexto, defendeu uma coordenação efectiva entre o Estado, as instituições financeiras, os reguladores e o sector tecnológico, lembrando que a expressão “não há sistema” traduz uma realidade com custos económicos reais. Durante a sua intervenção, sublinhou que a diversidade de sistemas actualmente existente — desde bancos a carteiras móveis, seguros e serviços públicos — não constitui um problema por si só, mas a falta de interoperabilidade entre eles representa um entrave à eficiência, à inclusão e ao crescimento económico. advertisement “Um cidadão que paga impostos num canal não consegue usar essa prova noutro. Uma PME que movimenta valores por carteira móvel permanece invisível para o sistema bancário formal”, exemplificou. O dirigente salientou a importância da arquitectura nacional de transformação digital, apresentada pelo Governo, assente em cinco pilares: certificação digital, identidade digital, interoperabilidade, plataforma única de pagamentos e infra-estruturas digitais modernas. Apelou a um enquadramento regulatório claro e à aceleração da execução das soluções técnicas já existentes. Kekobad Patel defendeu ainda que a soberania dos dados deve ser encarada como uma questão prática de governação e de autonomia económica e sublinhou que muitos utilizadores de serviços financeiros digitais não têm consciência sobre como os seus dados são recolhidos, armazenados ou utilizados, o que exige mais transparência e protecção. No seu discurso, destacou também a urgência de o sector financeiro olhar para as PME de forma mais intencional, estruturada e com recurso a tecnologias como big data e inteligência artificial para desenvolver produtos adequados à sua realidade. Reforçou que as soluções tecnológicas existem e que várias instituições já têm capacidade de as implementar. Por fim, enfatizou que o sucesso da transformação digital depende de três elementos: visão partilhada, execução coordenada e responsabilidade conjunta entre Governo, sector privado, reguladores e sociedade civil. “O País aguarda acções concretas. Os cidadãos e as empresas moçambicanas merecem sistemas que funcionem”, concluiu. A conferência BFSI Moçambique decorre entre os dias 17 e 18 de Dezembro, em Maputo, com a participação de decisores públicos, instituições financeiras, seguradoras, fintechs e empresas tecnológicas, para debater soluções práticas para um ecossistema financeiro mais moderno, digital e inclusivo. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

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