O Banco de Moçambique anunciou esta quarta-feira (28) a redução da taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) de 9,50 % para 9,25 %, marcando o 12.º corte consecutivo desde o início do ciclo de flexibilização em Janeiro de 2024. De acordo com um comunicado oficial, a decisão foi tomada pelo Comité de Política Monetária (CPMO), reunido em Maputo, e sustenta-se nas projecções que apontam para a manutenção da inflação em níveis reduzidos no médio prazo. Apesar de persistirem riscos consideráveis — nomeadamente associados à possibilidade de inundações, ao agravamento das tensões geopolíticas e aos atrasos no pagamento da dívida pública interna —, o banco central entende que a trajectória da inflação continua sob controlo. Em Dezembro de 2025, a inflação anual situou-se em 3,2 %, abaixo dos 4,4 % registados em Novembro. A inflação subjacente também evidenciou desaceleração, reflectindo a estabilidade do metical, a contenção da procura interna e a moderação dos preços internacionais. O CPMO considera que estes factores justificam a actual redução, embora alerte que o país se aproxima do fim do actual ciclo de descidas da taxa MIMO. “Apesar de persistirem riscos consideráveis — nomeadamente associados à possibilidade de inundações, ao agravamento das tensões geopolíticas e aos atrasos no pagamento da dívida pública interna —, o banco central entende que a trajectória da inflação continua sob controlo.”Banco de Moçambique A nível macroeconómico, os dados do terceiro trimestre de 2025 indicam uma recuperação tímida. Excluindo o gás natural liquefeito (GNL), o produto interno bruto (PIB) cresceu 1,3 %, após uma contracção de 1,7 % no trimestre anterior. Incluindo o GNL, registou-se uma contracção de 0,9 %, o que revela os efeitos ainda persistentes dos choques climáticos e da lentidão na reposição da oferta interna de bens e serviços. Em contrapartida, o endividamento público interno continua a deteriorar-se, agravando as pressões sobre o sistema financeiro. O stock da dívida interna ascende agora a 7,6 mil milhões de dólares, representando um acréscimo de 174 milhões de dólares em relação a Dezembro de 2025. O banco central sublinha que os atrasos no pagamento de obrigações por parte do Estado continuam a comprometer a liquidez no mercado e a desincentivar a procura por títulos públicos, mantendo elevadas as taxas de juro no mercado interbancário. O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, reiterou que “a postura da política monetária permanecerá prudente”, estando dependente da evolução dos riscos e incertezas que afectam as perspectivas da inflação e da estabilidade macroeconómica nacional. A próxima reunião do Comité de Política Monetária está marcada para o dia 30 de Março de 2026, data em que poderão ser revistas novamente as condições da taxa de referência.advertisement
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