a d v e r t i s e m e n tAs economias da África Subsaariana deverão crescer a um ritmo mais acelerado, de 3,8% este ano, apoiadas por preços estáveis que estimularam a flexibilização por parte dos decisores políticos, afirmou o Banco Mundial nesta terça-feira (7).

A revisão em alta em relação aos 3,5% previstos em Abril foi impulsionada pela estabilização das taxas de câmbio e de inflação em países como a Etiópia, o que abriu espaço para cortes nas taxas de juro, informou o banco no seu relatório semestral Africa Pulse.

“Estas condições favoráveis estão a impulsionar uma recuperação no consumo privado e no investimento”, lê-se no documento, alertando que, “no entanto, os esforços de consolidação fiscal podem travar o ritmo da recuperação em algumas economias.”

O crescimento irá acelerar para uma média anual de 4,4% nos próximos dois anos, de acordo com o banco, um ligeiro aumento em relação à previsão inicial de 4,3%.

As perspectivas de crescimento para 30 economias das 47 que compõem a região, tal como definida pela instituição, foram revistas em alta, segundo o relatório.

“A inflação mediana é inferior a 4%. Além disso, a maioria das moedas que estavam em queda livre em relação ao dólar americano recuperaram e estão estáveis”, afirmou Andrew Dabalen, economista-chefe para África do Banco Mundial, numa conferência de imprensa.

O enfraquecimento do dólar americano em quase 10% desde o início do ano contribuiu para um cenário mais favorável para os mercados emergentes em geral.

Grandes economias revistas em alta

O banco reviu para cima as previsões de crescimento para a Etiópia, Nigéria e Costa do Marfim, economias importantes da região. Os rendimentos reais estão também a crescer a um ritmo mais rápido este ano, e o mesmo acontecerá nos próximos dois anos.

“Embora isso marque uma retoma gradual de uma década de choques sucessivos, a recuperação ainda não ganhou um forte impulso”, lê-se no documento.

No entanto, as perspectivas económicas regionais enfrentam riscos decorrentes da incerteza comercial provocada pelas políticas do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, dos elevados encargos da dívida e da necessidade de criar empregos para milhões de jovens que estão a entrar no mercado de trabalho.

“Os desafios comerciais continuam muito elevados. Não sabemos como isto vai ser resolvido, porque há muitas negociações em curso”, afirmou Dabalen, citando o fim da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), um importante acordo comercial entre os Estados Unidos da América (EUA) e os países africanos.

Criação de empregos para evitar a agitação juvenil

O Banco Mundial apelou aos Governos para se concentrarem na criação de bons empregos, melhorando o ambiente geral de negócios, com o objectivo de fomentar as pequenas e médias empresas.

“Esses empregos devem proporcionar um salário digno e uma vida segura”, declarou Dabalen, acrescentando que três quartos dos empregos criados nas economias da região estão no sector informal.

A falta de oportunidades de emprego e outras queixas provocaram protestos liderados por jovens no Quénia, Nigéria e Madagáscar desde o ano passado, mostrando a dimensão do desafio para os decisores políticos.

“As consequências de não resolver estes problemas são difíceis de contemplar. Serão muito perturbadoras, e penso que estamos a começar a ver os sinais disso”, afirmou o economista-chefe do BM.

Fonte: Reuters

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