O economista sénior do Banco Mundial (BM), Nelson Eduardo, afirmou que a remoção dos subsídios aos combustíveis em Angola deve ser feita de “forma consistente, inclusiva e sustentável, de modo a mitigar os impactos sociais.” Durante um painel no Angola Economic Fórum (AEF2025), que decorre em Luanda até esta sexta-feira (29), o especialista alertou que tal como a medida está a ser implementada pode representar um desafio, escreveu a Lusa. “A questão da remoção dos subsídios aos combustíveis não é má em si, mas é a forma como está a ser feita”, explicou Nelson Eduardo, destacando que o BM tem trabalhado em colaboração com o Ministério das Finanças e a Unidade de Gestão da Dívida para garantir que a transição seja realizada no sentido de minimizar os impactos nas camadas mais vulneráveis ​​da sociedade. O economista recomendou que, além da retirada dos subsídios, o Governo angolano considere também “compensar quem, de facto, deve ser compensado.” O responsável mencionou o projecto Kwenda, que oferece transferências monetárias para os mais vulneráveis, mas lamentou a descontinuação dos passes sociais para estudantes nos transportes públicos, uma medida que considera crucial para aliviar os custos dos jovens. Nelson Eduardo também considerou a remoção dos subsídios uma medida inevitável para Angola, mas sublinhou que deve ser implementada cuidadosamente e com uma boa comunicação. “É um caminho inevitável, mas que deve ser feito de forma mais consistente e inclusiva”, afirmou, ressaltando a importância de uma comunicação clara sobre as vantagens e desvantagens da medida para conquistar o apoio da população. O Governo angolano estima que a remoção dos subsídios aos combustíveis possa gerar uma poupança de 372 milhões de euros. Estes recursos serão direccionados para sectores como o da saúde, educação e infra-estruturas, áreas com grandes necessidades no país. Desde 4 de Julho, o preço do litro de gasóleo em Angola passou a ser de 0,37 euros, um aumento face aos 0,28 euros anteriores. Esta medida resultou em aumentos nos preços dos transportes públicos e privados, o que gerou protestos nas ruas. O economista do BM defendeu que a retirada dos subsídios é uma maneira de melhorar a gestão das finanças públicas do país. Além disso, Nelson Eduardo revelou que o organismo internacional está a trabalhar com o Governo angolano na criação de um novo pacote de financiamento avaliado em 750 milhões de dólares para o presente ano fiscal. O objectivo deste financiamento é implementar reformas estruturais nas áreas de finanças públicas, formação de capital humano, energia e tecnologia.

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts