advertisemen tA criação de empregos dignos e sustentáveis deve ser colocada no centro das estratégias de desenvolvimento de Moçambique, defende o director do Banco Mundial para Moçambique, Madagáscar, Maurícia, Comores e Seicheles, Fily Sissoko, numa reflexão divulgada esta semana por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. De acordo com um portal, Club of Mozambique, com base numa observação informal em Maputo, Sissoko descreve a realidade de milhares de jovens moçambicanos que enfrentam o quotidiano em actividades informais, sem acesso a formação, emprego formal ou rendimentos estáveis, apesar da sua capacidade empreendedora e determinação. Segundo o responsável, esta realidade demonstra a resiliência dos moçambicanos, mas também as limitações estruturais que impedem o crescimento económico inclusivo. Moçambique regista anualmente a entrada de cerca de 500 mil jovens no mercado de trabalho, mas apenas 25 mil empregos formais são criados, obrigando a maioria a permanecer na agricultura de subsistência ou no sector informal, com fraca segurança laboral e baixos rendimentos.advertisement Para o Banco Mundial, o emprego é o mais eficaz instrumento para combater a pobreza, sendo, por isso, um imperativo económico e moral. O País, defende Sissoko, reúne condições para prosperar, graças à sua localização estratégica na costa do Oceano Índico, vizinhança com países sem litoral, abundância de recursos naturais e uma população jovem com potencial para dinamizar a economia. O responsável recorda o exemplo do Vietname, que em 1987 tinha níveis de rendimento semelhantes aos de Moçambique e que, através de reformas estruturais e políticas consistentes, conseguiu transformar a sua economia, alcançando um crescimento médio anual de 7% e reduzindo a taxa de pobreza de cerca de 60% em 1993 para menos de 3% em 2020. Para o Banco Mundial, o emprego é o mais eficaz instrumento para combater a pobreza. Sissoko sustenta que Moçambique pode trilhar um caminho semelhante, desde que alinhe as reformas com metas de longo prazo, aposte no desenvolvimento do capital humano e crie um ambiente favorável ao investimento privado e ao crescimento inclusivo. A estabilidade macrofiscal surge como condição essencial para restaurar a confiança dos investidores e assegurar um desenvolvimento sustentável. A execução eficaz das políticas é, segundo o Banco Mundial, o elemento mais crítico. “A implementação não é um detalhe burocrático — é a própria política”, afirma Sissoko, destacando cinco factores-chave para o sucesso: liderança forte, visão de longo prazo com metas claras, equipas técnicas competentes, sistemas de monitoria robustos e diálogo permanente com o sector privado e a sociedade civil. Neste contexto, o Banco Mundial está a preparar um novo Quadro de Parceria com o País para apoiar o desenvolvimento de Moçambique nos próximos cinco anos. A nova estratégia terá como foco a dinamização dos corredores económicos, promovendo a criação de empregos em sectores com elevado potencial — nomeadamente energia, agro-indústria e turismo —, o reforço do investimento em infra-estruturas e capital humano, e a mitigação de factores de fragilidade social e económica. Para Fily Sissoko, este é o momento de Moçambique. Um momento particularmente decisivo para a juventude e para as mulheres, com oportunidades concretas de participar nos investimentos em larga escala e de renovar o pacto entre Governo, sociedade civil, sector privado e parceiros de desenvolvimento, com base numa governação económica mais forte e transparente.advertisement
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