
O gestor, que falou à margem das Conversas da Bolsa, no Palácio da Bolsa, questionado após uma intervenção em que disse que a banca deveria ser “amoral”, explicou que “as decisões políticas pertencem apenas aos políticos, e portanto, devem ser feitas dentro de um quadro democrático, que é o quadro orientado para isso”. “E à banca o que se pede é muita eficiência”, destacou, apontando que “a discussão recente que se pôs sobre a importância da banca para assegurar a transição energética, limitando, digamos assim, determinados setores, já provou no passado que não era muito boa”. Ramalho lembrou que “o Banco Europeu de Investimentos, por exemplo, durante muitos anos foi proibido de financiar a defesa. E hoje em dia, a grande preocupação da Europa é a defesa”. António Ramalho defendeu ainda alterações ao sistema de pensões, que, indicou, devem passar pela sua capitalização. “O sistema foi sempre de base redistributiva”, salientou, tendo sido criado numa altura em que a idade média das pessoas era 65 anos e a idade hoje em dia é de 82″, lembrou. “O que nós precisamos é ter a noção de que não é possível manter um sistema redistributivo, porque obviamente as pessoas não podem trabalhar tanto tempo”, destacou, salientando que Portugal é “um bom exemplo que alargou, digamos assim, com o índice de sustentabilidade”, contando com reformas aos 66 meses e 7 meses, algo que “depende do indicador de sustentabilidade”. “Precisamos de pensar como é que passamos o sistema para um sistema de capitalização, mas, sobretudo, como é que fazemos um período transitório, porque há um grande período transitório que tem que ser organizado e esse tem que ser organizado com uma convicção coletiva de que vale a pena esse esforço”, disse. Este processo, indicou, passa por perceber como é que se cria capital “através de limitação e de sacrifícios às pensões dos que já estão a jogar ao sistema em benefício daqueles que estão a entrar no sistema neste momento”, disse. Para Ramalho, “isso tem de ser feito com um período transitório e esse período transitório tem que ser financiado pelo Orçamento Geral do Estado, isto é, pelos contribuintes e, portanto, naturalmente, é um sistema sempre doloroso”, reconheceu. Para António Ramalho, cuja intervenção se centrou no tema de um conflito geracional, que disse já estar a acontecer, “a democracia tem de dar resposta neste momento a desafios diferentes daquele a que tinha de dar resposta quando foi criada”. “É um modelo de ideias, ideologias, de modelos, que depois vai a votos. Não é um modelo de termos algoritmos de inteligência artificial que determinam o que as pessoas querem para depois oferecer aquilo que as pessoas já pediram”, destacou. António Ramalho acredita que a Europa tem conseguido resolver conflitos como o de classes ou géneros, mas alertou para o conflito geracional. “Isto é, os direitos adquiridos, que no fundo protegemos em relação àqueles que já estão no sistema, prejudicam o acesso ao sistema daqueles que ainda não estão, explicou. “É o exemplo da habitação que eu quis dar, é o exemplo do emprego que eu quis dar e é o exemplo da segurança social que eu quis dar. São exemplos claros que aqueles que estão no sistema, como eu, sou mais velho, tenho 65 anos, têm de pensar como é que se sacrifica um pouco para assegurar que essa capacidade é dada aos mais jovens”, disse. “Porque se não temos um conflito geracional, que sempre existiu, mas que neste momento é uma verdadeira armadilha geracional e isso começa-se a notar nas tipologias de voto, nas tipologias de comunicação, nas tipologias de relacionamento e são muito difíceis de resolver”, rematou. Leia Também: PSD pede “responsabilidade” (sem comentar proposta do PS para pensões)
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