A multinacional Babcock, reconhecida mundialmente pelas suas inovações em geração de vapor e tecnologia de caldeiras desde o século XIX, destacou Moçambique entre os países onde deixou a sua marca no continente africano, no quadro da celebração dos 135 anos de actividade em África. De acordo com o portal Engineering News, a empresa recordou que, ao longo da sua presença no continente, realizou projectos de grande relevância para diversas indústrias, incluindo a reabilitação de uma unidade açucareira em Moçambique, contribuindo para a modernização do sector e para a melhoria da capacidade produtiva nacional. Num comunicado, a Babcock sublinha que a sua actuação em África vai além da simples exportação de tecnologia, integrando soluções adaptadas à realidade local. Em Moçambique, a intervenção na indústria açucareira é apresentada como exemplo de aplicação de engenharia e inovação para reforçar a resiliência das cadeias produtivas. Fundada no século XIX, a Babcock consolidou-se como parceira estratégica de países africanos na construção e manutenção de centrais energéticas, fábricas e infra-estruturas industriais. Desde os anos 1940, desempenhou um papel decisivo no fornecimento e modernização de equipamentos energéticos, sobretudo na África do Sul, expandindo depois a sua presença a outros países da região. Além de soluções tecnológicas, a empresa aposta no desenvolvimento de competências locais, através da formação de jovens e do fortalecimento de pequenas e médias empresas que integram a sua cadeia de fornecimento. Este modelo, afirma a Babcock, garante não apenas infra-estruturas mais eficientes, mas também geração de empregos e transferência de conhecimento para as comunidades onde actua. Para a direcção da companhia, o envolvimento em Moçambique representa “um exemplo concreto de como a experiência global pode ser posta ao serviço das necessidades locais, combinando inovação, engenharia e impacto social.” A indústria açucareira nacional tem registado sinais de recuperação, embora continue a enfrentar desafios estruturais e climáticos. Estima-se que a produção anual ronde 350 mil toneladas, com cerca de metade destinada ao consumo interno. Para a campanha agrícola de 2024-25, projecta-se um aumento da colheita de cana-de-açúcar de 1,6 para 1,9 milhão de toneladas, o que poderá elevar a produção de açúcar para cerca de 210 mil toneladas. As exportações cresceram significativamente em 2024, alcançando 36 milhões de dólares (2,4 mil milhões de meticais), mais 50% em relação ao ano anterior. Contudo, a entrada ilegal de açúcar continua a prejudicar os produtores nacionais, queixando-se da concorrência desleal e da evasão fiscal. Casos como o adiamento da retoma da fábrica de Maragra, afectada por inundações, evidenciam a vulnerabilidade do sector, que emprega milhares de trabalhadores e se mantém como uma das principais indústrias agro-industriais do País.
Painel