
A Azul está a transpor um processo de renovação financeira, mas nesse projecto não está incluída a dívida contraída pela companhia aérea brasileira junto da TAP. Essa dívida, que está em disputa judicial, deve, diz a Azul, ser incluída no processo de privatização da companhia portuguesa.
A empresa que chegou a ser comandada por David Neeleman, que foi acionista da transportadora portuguesa, subscreveu 90 milhões de euros de um empréstimo obrigacionista à TAP SGPS em 2016 para lhe dar liquidez.
A SGPS foi, entretanto, transformada em Siavilo, tendo segmento dos seus ativos sido adquiridos pela TAP SA, ficando assim concluída a renovação da empresa. No meio deste processo, a TAP SGPS entrou em incumprimento da dívida contraída junto da Azul.
O vice-presidente da companhia brasileira, Fábio Campos, diz à Lusa que os 90 milhões de euros serão, na verdade, um valor a rondar os 182 milhões de euros em 2026, uma vez que esta dívida está a apinhar juros. É um montante que, diz, deve ser previdente no processo de início de capital que está prestes a seguir.
Na visão deste responsável, a reprivatização da TAP deve considerar o valor desta dívida que existe pendurado ao grupo brasílico. Fábio Campos sustentou, na mesma entrevista, que o Governo terá em consideração a dívida pendurado. “Acreditamos que esta dívida terá de ser equacionada antes de qualquer progressão na privatização”.
A dívida na ordem de 180 milhões de euros atinge a maturidade no próximo ano, estando atualmente a ser “discutido judicialmente” o seu pagamento pela TAP. A discussão judicial prende-se, segundo o responsável, em relação à constituição de garantias que cubram o valor da dívida, principalmente quando estas recaem sobre a SGPS, que praticamente não tem ativos.
Processo de privatização da TAP pronto a arrancar
Com o novo Governo português já em funções, o processo de privatização da companhia portuguesa pode estar prestes a voar. Aquando da sua interrupção, devido à rescisão do Parlamento, a TAP atraía o interesse de três grupos de aviação: Air France-KLM, Lufthansa e IAG.
No início da semana, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, que recupera o função no XXV Governo Constitucional, assegurou ao Negócios que o Executivo já dispunha do “protótipo e caderno de encargos” para seguir com o processo de reprivatização, estando somente a esperar a tomada de posse.
No entanto, o Ministério das Infraestruturas e Habitação continuava à espera de receber as avaliações pedidas à EY e ao Banco Finantia, um tanto que Hugo Espírito Santo adiantou não ser preciso para seguir com o processo.
Azul entra em renovação
A companhia fundada por David Neeleman entrou em processo de insolvência no termo de maio com o propósito de reorganizar as suas finanças. Com recurso ao “Chapter 11”, a Azul admitiu que chegou a concordância para a renovação da dívida, permitindo a ingressão da American Airlines e da AerCap (empresa de leasing de aviões) no capital da Azul, ao qual se acrescenta o reforço da posição da United, que já é acionista da transportadora brasileira.
O processo deve demorar nove meses e a companhia brasileira assegurou que vai continuar a sua operação normal ao longo deste período temporal.
Oriente processo de renovação vai incluir “um financiamento DIP [financiamento contraído por um devedor em recuperação judicial] de aproximadamente 1,6 milénio milhões de dólares de parceiros financeiros” para refinanciar dívidas já existentes e somar liquidez de muro de 670 milhões de dólares.
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