advertisemen tO Governador da província de Maputo, Manuel Tule, exigiu a demolição de casas e muros de vedação que obstruem o escoamento natural das águas da chuva e causam inundação no município da Matola, numa altura em que o País regista a ocorrência de cheias generalizadas, sobretudo nas regiões sul e centro. “A situação não está boa, há muitas famílias que têm as suas casas alagadas. Descobrimos que, efectivamente, há residências que terão de ser removidas”, avançou o responsável, acrescentando que com o propósito de acabar com o cenário de inundações, há estradas que também terão de ser intervencionadas para facilitar o escoamento natural da água. De acordo com o governante, há mais de 7200 casas que estão inundadas e 800 pessoas desalojadas por conta das chuvas intensas, sendo que se verifica também a intransitabilidade de algumas vias, com pontes submersas devido à subida dos caudais dos rios. Esta semana, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH), emitiu um “alerta laranja” face ao risco moderado e alto de ocorrência de cheias, olhando para as previsões meteorológicas e para a situação hidrológica que prevalece em Moçambique. Já o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) revelou que a tempestade tropical moderada “Dzuzai”, que se formou na bacia do sudeste do oceano Índico, evoluiu para o estágio de ciclone tropical intenso, esclarecendo que o fenómeno se caracteriza por ventos de 175 quilómetros e rajadas de até 250 quilómetros por hora, encontrando-se na posição que varia entre 16,6 graus sul e 77,7 graus leste. Segundo o INAM, prevê-se igualmente a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes entre 30 a 50 milímetros em 24 horas, localmente muito fortes acima de 75 milímetros em 24 horas, acompanhadas, por vezes, de trovoadas severas e ventos com rajadas nas regiões Centro e Sul de Moçambique. Recentemente, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) fez saber que morreram 85 pessoas, 70 ficaram feridas e outras 105,1 mil foram afectadas pelas mudanças climáticas durante a época chuvosa 2025-26. Em Outubro, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária. Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões. O País é considerado um dos mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement
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